Economia

Tarifaço Americano X Tarifaço Brasileiro

Tarifaço Americano X Tarifaço Brasileiro

As recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a adoção de tarifas adicionais a produtos importados reacenderam o debate sobre os custos ao consumidor. A medida, defendida como forma de proteger a indústria nacional, pode elevar o preço de diversos itens, mas ainda assim o impacto sobre o bolso do norte-americano continua bem menor do que o enfrentado diariamente pelos brasileiros.

Nos EUA, mesmo com a possibilidade de novas sobretaxas, a carga tributária sobre produtos importados parte de uma média de 3% a 5%. Somando o imposto estadual sobre vendas, que varia entre 4% e 9%, o preço final de um produto não se distancia muito do valor original. Um smartphone de US$ 1.000, por exemplo, mesmo com eventual tarifa adicional, dificilmente ultrapassaria US$ 1.150 para o consumidor.

No Brasil, a realidade é outra. Sobre o mesmo produto incidem sucessivamente Imposto de Importação (20%), IPI (15%), ICMS (18%) e PIS/Cofins, sem contar custos logísticos e margens de distribuição. Convertido a R$ 5,00 por dólar, o aparelho sairia por R$ 5.000 na origem, mas chega ao consumidor final entre R$ 8.000 e R$ 9.000. O brasileiro paga, em média, quase o dobro do americano, sem que isso represente maior qualidade ou benefício.

O contraste se repete em outros setores. Roupas vendidas a US$ 50 nos EUA custam de R$ 400 a R$ 500 no Brasil. Brinquedos de US$ 30 chegam a R$ 300. Automóveis médios, que nos Estados Unidos variam entre US$ 25 mil e US$ 35 mil, no mercado brasileiro facilmente superam R$ 150 mil.

Enquanto o “tarifaço americano” é tratado como uma ameaça de encarecimento ao consumidor, no Brasil o “tarifaço” já é rotina consolidada. O peso tributário torna produtos básicos e de consumo corrente inacessíveis a uma grande parcela da população, ampliando a desigualdade no acesso a bens duráveis.

Imagem criada no Chat GPT