Em uma medida com forte impacto social — e político — o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta semana, o programa apelidado de “Bolsa Luz”, que isenta da conta de energia elétrica cerca de 60 milhões de brasileiros de baixa renda. O benefício atinge famílias com consumo mensal de até 50 kWh, representando cerca de 20% dos domicílios do país, e começa a valer a partir de janeiro de 2026.
A ação vem num momento estratégico. O número de beneficiados pelo programa é praticamente idêntico ao total de votos obtidos por Lula no segundo turno das eleições de 2022: cerca de 60,3 milhões de eleitores. A coincidência numérica não passou despercebida nos bastidores políticos e levanta especulações sobre o uso do benefício como vitrine eleitoral para a campanha de reeleição em 2026.
A isenção foi incluída na nova Lei de Energia Limpa, sancionada com vetos parciais. Entre os principais pontos da legislação estão a universalização do acesso à energia renovável e o fortalecimento da tarifa social. Segundo o governo, a proposta busca reduzir desigualdades, combater a pobreza energética e garantir justiça social. Críticos, no entanto, enxergam na medida um apelo populista com potencial de distorção fiscal, especialmente em ano pré-eleitoral.
Enquanto o governo celebra a conquista como histórica, a oposição aponta para o risco de politização de políticas públicas e alerta para o impacto nas contas do setor elétrico, que deverá ser compensado por outros consumidores ou pelo Tesouro Nacional. Com a economia ainda em ritmo lento e a popularidade do presidente oscilando, o “Bolsa Luz” pode se tornar uma das principais apostas do Palácio do Planalto para reconquistar o eleitorado em 2026.
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