Polêmica das ambulâncias: “esperteza” de Camilo Santana pegou mal

Polêmica das ambulâncias: “esperteza” de Camilo Santana pegou mal

O evento do governador do Ceará para entregar 49 ambulâncias do governo Bolsonaro causou repúdio nas redes sociais.

Isto porque o governo Jair Bolsonaro doou 67 ambulâncias para o Ceará, através do Ministério da Saúde, contudo, a entrega dos veículos foi realizada com estardalhaço pelo governador cearense Camilo Santana, do PT.

Ao lado do secretário estadual da Saúde, Carlos Roberto Martins, no bairro Moura Brasil, além de posar como “o dono da bola”, o governador petista ainda omitiu que a autoria do serviço prestado era do governo federal, em parceria com os prefeitos.

Em seu discurso, durante a entrega, além de não citar o nome do presidente, Camilo Santana não disse que o programa era do ministério da Saúde. E ainda engordou a conta, entregando 49 veículos, mas anunciando o número de 67.

Camilo Santana prometeu “entregar” mais 18 ambulâncias até o final do ano. Segundo os exagerados releases distribuídos pelo governo do Ceará, a frota atual é de 132 ambulâncias, sendo 19 Unidades de Suporte Avançado, 2 Unidades de Suporte Intermediário, 107 Unidades de Suporte Básico, 2 motolâncias e 2 aeromédicos. Também segundo o governo do Ceará, o Samu ja cobriria 136 municípios cearenses.

 

Propaganda enganosa — A reação dos partidários do presidente Bolsonaro foi imediata e em peso. Ao portal Revista do Ceará, um bolsonarista foi taxativo: “Ele (Camilo) entrega as ambulâncias, como se fosse ele quem tivesse comprado. Propaganda enganosa! Se fosse honesto, deveria ter dito que foi Bolsonaro quem comprou e mandou”.

O radialista Francisco Fabiano, pré-candidato à prefeito de Juazeiro do Norte, também foi enfático: “Político é bicho muito demagogo. Você vê gente que não tem nada a ver, tirando foto do lado de ambulância e com governador. Cadê a honestidade desse povo?”, lamenta, acrescentando que em Juazeiro do Norte teve caso parecido: “Todos lembram a confusão. O prefeito Arnon Bezerra colocou uma placa da prefeitura nas prometidas obras do estádio Romeirão, sem informar que a obra é do governo estadual. O governo do Ceará mandou derrubar a placa. Agora pergunto, o governo do Ceará não fez com o governo Bolsonaro a mesma coisa que a prefeitura de Juazeiro fez com o governo do Ceará?”

O assunto repercutiu inclusive fora do Ceará. “Bolsonaro precisa ser mais malicioso; têm horas que o amadorismo toma conta; onde já se viu doar 67 ambulâncias para um governador do PT entregar”, comentou um piauiense.

Outro a protestar foi o radialista da capital Queiroz Barbosa, que comanda a Fortaleza Abandonada, página no Facebook com mais de 1 milhão de acessos: “Quem estava no local, inclusive, viu o governador já em campanha, apresentando seus vários pré-candidatos a prefeito”, denunciou, acrescentando que é hábito do grupo político fazer esse tipo de cortesia com o chapéu alheio, “o prefeito Roberto Cláudio quando entrega as moradias do Minha Casa, Minha Vida nunca diz que o programa é do governo federal”, concluiu destacando a revolta dos partidários de Bolsonaro no Ceará.

Na carona de Queiroz Barbosa foi o deputado estadual André Fernandes, do PSL — hoje o político mais ligado a família Bolsonaro no Ceará. André gravou vídeo mostrando ambulâncias paradas em estacionamento descampado às margens da BR 116. Segundo o deputado, estas seriam as mesmas ambulâncias usadas de manhã no “auê do Camilo”. Ainda segundo André Fernandes, o “Governador disse que estava entregando, mas em nenhum momento falou de onde as ambulâncias vieram. Camilo omitiu a benfeitoria do governo Bolsonaro, que mandou com essa remessa de ambulâncias 11,3 milhões, fato que Camilo e sua laia omitiu. Camilo Santana é do PT, não pode elogiar Bolsonaro. Só pode falar mal.” André também desafiou o governador Camilo a dar o crédito a Bolsonaro, independente se isso vai ou não agradar o PT: “Camilo, seja homem”, finalizou.

 

Oportunismo — Com a remessa cearense, já são quase 900 ambulâncias doadas pelo ministério da Saúde em todo Brasil nos primeiros onze meses do governo Bolsonaro, investimento total de R$ 137 milhões.

A participação dos governos estaduais na instalação do SAMU 192 é mínima, praticamente inexistente. Isto porque, segundo o trâmite do Ministério da Saúde, resumidamente exige-se o seguinte:

1) A região monta seu projeto para o SAMU 192;
2) Projeto é aprovado pelo Ministério da Saúde;
3) O município sede da Região projeta e constrói a Central de Regulação do SAMU recebendo incentivos financeiros (estabelecidos por portarias) do governo federal para tal;
4) Os municípios participantes realizam todas as adaptações locais para a viabilização do projeto, como construção e estruturação das Bases descentralizadas localizadas em seu território;
5) Os municípios providenciam a contratação de toda estrutura operacional necessária para o adequado funcionamento do SAMU 192;
6) O Ministério da Saúde envia (doação) as viaturas equipadas com seus materiais permanentes;
7) O SAMU 192 passa a funcionar na região;
8) Mensalmente cada município participante do SAMU 192 Regional recebe do governo federal incentivo financeiro (estabelecido em portaria do Ministério da Saúde) de acordo com os componentes nele instalados.

A gerência do SAMU 192 compete exclusivamente às secretarias de Saúde municipais. Não há ingerência dos governos estaduais.