Operação da PF mira suposta candidatura laranja do Pros no Ceará na Eleição 2018

Operação da PF mira suposta candidatura laranja do Pros no Ceará na Eleição 2018

Uma candidata a deputada estadual recebeu R$ 274 mil da sigla para gastar na campanha nas eleições de 2018, mas só tirou 47 votos.

Procurado, o partido, comandado pelo deputado federal Capitão Wagner, homologado como candidato a prefeito de Fortaleza, disse que vai se pronunciar sobre o assunto, mas até o fechamento desta reportagem, o posicionamento da sigla não havia chegado. 

A candidata recebeu R$ 274 mil do Pros para gastar na campanha nas eleições de 2018, mas só tirou 47 votos. De acordo com a PF, com o "investimento" que ela recebeu, cada voto da ex-candidata custou R$ 5.844,50. O custo médio do voto no Ceará em 2018 foi de R$ 5,97.

Esse e outros casos de supostas candidaturas laranjas foram denunciados pelo Diário do Nordeste após as Eleições de 2018. Em junho deste ano, a Polícia Federal havia deflagrado outra operação contra uma candidatura do PSL no Ceará. 

Levantamento

De acordo com a PF, em levantamentos iniciais realizados nos sistemas de prestação de contas dos candidatos disponibilizados pelo Tribunal Superior Tribunal Eleitoral (TSE) e outros sistemas de dados de acesso da Polícia Federal foi constatado que o valor repassado à candidata em muito superou às quantias que foram destinadas a outros candidatos do mesmo partido, inclusive dos que foram eleitos pela mesma legenda.

Segundo o delegado regional de investigação e combate ao crime organizado da PF no Ceará, Paulo Henrique Oliveira, a prestação de contas da então candidata à Justiça Eleitoral está "formalmente" correta, mas não condizem com a realidade da campanha.

"A questão é que a realidade fática diz que aqueles débitos, de despesas que foram utilizados na prestação de contas, não foram utilizados na campanha dela que, provavelmente, sequer existiu, já que ela só teve 47 votos, foram utilizados para outro fim e é o fim que a gente precisa descobrir na investigação: se foi utilizado para campanha de outros candidatos ou para enriquecimento ilícito dela mesmo ou de outra pessoa relacionada a ela".

Oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos na sede estadual de partido político, em um escritório de contabilidade, em uma empresa gráfica, em um posto de gasolina e nas residências da investigada e dos proprietários das empresas. As ordens judiciais foram expedidas pela Justiça Eleitoral do Ceará e cumpridas em Fortaleza.

Os fatos, caso confirmados, de acordo com a PF, podem configurar o crime capitulado no art. 354-A do Código Eleitoral, que comina aos infratores pena de reclusão de dois a seis anos e multa.