Esta será a eleição do Big Data

Esta será a eleição do Big Data

O uso de dados poderá definir uma comunicação mais acertiva entre candidato e eleitor

A construção de um candidato a prefeito para as eleições deste ano exigirá muito mais que um discurso fácil com promessas milagrosas para problemas antigos. A pandemia provocada pela disseminação do novo coronavírus (covid-19) tem invertido a lógica eleitoral, não somente com mudanças na data (15 e 29 de novembro) da votação e das regras que a assegura. O uso das redes sociais ganha ainda mais peso, mas, mesmo com o know how de 2018, que elegeu o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), “não existe receita pronta” - frase dita com frequência pelos dirigentes partidários para falar dos desafios de 2020.

O Brasil ultrapassou a marca dos 80 mil mortos pela covid-19, com mais de 2,2 milhões casos da doença confirmados. O impacto desses números, ainda que os governos estaduais e municipais estejam flexibilizando as regras de isolamento social, vão se refletir diretamente na agenda dos candidatos. O primeiro filtro a ser feito é se o postulante é de situação ou oposição. Para candidatos de situação, o fato de ter mais de 30 dias para mostrar resultados poderá ser um fator determinante para a estratégia a ser montada.

Na disputa pela reeleição, não cabe uma caixa de promessas. O que estará em discussão é o desempenho da gestão. Isso muda quando se trata de um postulante de oposição, em que há liberdade maior para apontar os erros da atual administração. A crítica sem fundamento não deverá ter mais vez dentro da comunicação política.

SEGUIDOR X VOTOS

Ter um bom desempenho nas redes sociais, principalmente neste período de pré-campanha, vai além do número de seguidores e curtidas. A propaganda eleitoral nas Tvs, rádios e na internet começará no dia 26 de setembro e vai até o dia 12 de novembro. Segundo especialistas, está será a eleição da big data, ou seja, o uso de dados estruturados para que sejam estabelecidos perfis demográficos. Com isso, o discurso do candidato é direcionado de forma mais assertiva ao seu eleitorado.

O ambiente virtual não vai suprir totalmente a campanha de rua, mas a tecnologia pode auxiliar nessa aproximação. A interação com as lideranças locais e associações nas comunidades. Estes líderes podem levantar as dúvidas e demandas daquela determinada região e promover debates mesmo que sejam virtual.

Mas, afinal, o que é e para que serve o Big Data?

O termo Big Data é utilizado para definir um grande conjunto de ferramentas de TI que permitem a captura, a análise e a catalogação de registros em tempo real.

As informações podem ser originadas de diferentes fontes internas e externas, como cadastros de clientes, análises de mercado, redes sociais, dispositivos eletrônicos, processos internos ou mesmo pesquisas em meios offline.

A vantagem dessas ferramentas está em centralizar, em um único local, a coleta e a análise desse grande conjunto de registros.

A partir disso, as técnicas de estatística e processamento ficam a cargo das máquinas, permitindo que analistas consigam identificar padrões rapidamente e prever tendências com maior precisão.

Como consequência, será possível criar rotinas mais eficazes e se preparar para as mudanças do cenário eleitoral de forma antecipada (são as chamadas análises preditivas).

Em outras palavras, tudo para o candidato se manter continuamente bem informado sobre o cenário eleitoral.