“Dissimulação ou capitulação? Bolsonaro acabou?”, por Norton Lima Jr.

“Dissimulação ou capitulação? Bolsonaro acabou?”, por Norton Lima Jr.

Informação é crucial. Nunca vá para a batalha sem saber o que pode estar contra você. Sun Tzu. Seguir ou ignorar as regras da guerra de Sun Tzu significa ganhar ou perder a guerra, contudo, guerras reais diferem da guerra abstrata, porque as condições nunca são as idealizadas. Nada acontece em estalar de dedos. Por maior que seja o cálculo, tudo é contingência, imponderável, acaso.

A carta do Bolsonaro à Nação mexeu com a psiquê nacional. Subiu fumaça no ar, levantou poeira na terra, balançou águas no mar. Alterou humores e abalou psicologias, fatores relevantes nas decisões tomadas pelos homens em suas batalhas.

No balanço do “grande dia”, como debochou João Dória, citaram a regra da dissimulação de Sun Tzu — “Quando capaz, finja incapacidade; pronto, finja despreparo; próximo, finja distância; longe, faça acreditar proximidade.”

De fato, o sucesso na guerra tem princípios: objetivo, unidade, simplicidade do plano, concentração de forças, economia de forças, manobras, ofensiva, defesa e surpresa. Surpresos todos estão. E pouco adianta ficar na torcida, acreditando no já-ganhou-já-perdeu antes do apito final.

O momento é de está estar baixar a poeira, a espuma secar, contar as balas do tiroteio, listar mortos e feridos, metabolizar o acontecimento, monitorar a repercussão, quantificar a percepção e assim tentar enxergar os desdobramentos.

A primeira visão percebida é a angústia dos bolsonaristas. Angústia grande, imensa, enorme. Não há como ignorar.
A segunda visão — no fundo da paisagem da angústia bolsonarista — é também a angústia de quem apostava no confronto.

Os bolsonaristas estão angustiados com a imagem de nada-vai-acontecer. Mas os anti-bolsonaristas também estão angustiados porque nada-aconteceu, por enquanto. O que vai acontecer? Bem, o principal desdobramento está na movimentação do STF, para onde a cena foi deslocada.

Os ministros da STF sabem da impopularidade do chamado “inquérito do fim do mundo”. Também sabem da existência da Lava Toga, ainda sem realismo. Não imaginam os segredos de Estado, que correm de boca em boca, ilustrando o uso do tribunal para desestabilizar governantes e assenhorear-se de outros poderes. Nesse sentido, Marco Aurélio fez um estrago imenso.

Pois bem, caso Alexandre de Moraes não recue, desista do “inquérito do fim do mundo”, solte os presos políticos, Bolsonaro vai desidratar e cair desidratado — caso nada faça. Se tal desidratação ocorrer, Bolsonaro sequer disputará a reeleição ou até mesmo conseguirá terminar o governo.

Mas muita calma nessa hora, como orienta Sun Tzu: “A vitória está reservada àqueles que estão dispostos a pagar o preço.”

Sem a perspectiva de Bolsonaro, Lula ficará flutuando com a polarização dissolvida. A agenda política será outra, por isso, o PT não festejou a “carta renúncia” de Bolsonaro. Mesmo sem Bolsonaro na perspectiva, o desejo de passar o Brasil a limpo continuará no horizonte em busca de ícones — Lava Jato, Lava Toga, Lava Voto etc…

Vladimir Safatle, em artigo publicado ontem, lembrou a quantidade inumerável de vezes que Mussolini foi dado como politicamente morto, isolado, acuado, fragilizado.
Voltando a Sun Tzu, muitos generais ruíram porque subestimaram oponentes. Resta perguntar, estamos a ver movimentos de capitulação ou de dissimulação?

O experiente Augusto Nunes dá um rumo. Aconselhou insatisfeitos a não precipitação, destacando que agora, diferente de antes, ninguém poderá chamar Bolsonaro “de golpista”, porque Bolsonaro marcou presença na ponte diplomática.

Por isso, por certo, os ministros do STF receberam a carta do Bolsonaro com receios, conforme noticiou o experiente Fausto Macedo.

Voltando a Vladimir Safatle, “Nunca um presidente falou ao povo, em seu momento de maior tensão, que partilhava abertamente o desejo de romper e ignorar uma institucionalidade que é simplesmente a representação dos clássicos interesses oligárquicos das elites brasileiras.”

Bom lembrar essa conversa entre Temer e Bolsonaro não foi decidida ontem ou hoje. Em agosto, Alexandre de Moraes jantou com Temer e “autorizou” Temer conversar com Bolsonaro sobre Alexandre de Moraes.

Eis o retrato do Brasil. Um país gritando LIBERDADE no dia de sua independência. Qualquer Nação assim, não acabou. Sequer começou.

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*Norton Lima Jr é jornalista com o experiência em marketing político.

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