Capitão Wagner articula fim da greve da PM em Brasília

Capitão Wagner articula fim da greve da PM em Brasília

O deputado federal Capitão Wagner (PROS) articulou formação de comitiva para mediar em Brasília o fim da crise gerada entre Governo do Ceará e policiais militares.

A frente de negociação conta com o Secretário Nacional de Proteção Global, Sérgio Queiroz; o Diretor de Proteção e Defesa de Direitos Humanos, Herbert Barros; e os deputados federais Capitão Alberto Neto (AM) e Major Fabiana (RJ).

Além de monitorar a situação dos profissionais de segurança e de seus familiares envolvidos no movimento de paralisação, a frente vai abrir em
Brasília uma mesa de negociação entre o Governo do Ceará e policiais grevistas.

A ideia é tirar a negociação da inércia, retomando as reivindicações da categoria não contempladas no projeto de reestruturação enviado pelo Governo do Ceará para Assembléia Legislativa.

Segundo Capitão Wagner, a paralisação já atinge parte considerável do efetivo. Trata-se de um movimento que não interessa nem aos profissionais de segurança nem a população. E que só está ganhando força devido às limitações impostas pelo Governo do Ceará em negociar melhores condições de trabalho para a tropa sem reajuste salarial a cinco anos, acumulando perdas salariais na casa dos 30%.

Governo descumpriu acordo — No final da semana passada foi tentado acordo para impedir a paralização, mas o que foi acordado não foi bem o encaminhado. Em sua mensagem a Assembléia Legislativa, o Governo do Ceará incluiu artigo descabido tratando da obrigatoriedade do policial tirar serviço extra sem remuneração por ordem do comando. A revolta da tropa foi geral.

Em sua proposta, o governo do Ceará também extinguiu gratificações (como a gratificação de metas, por exemplo), incorporando-as ao salário, contudo, a incorporação das gratificações dar-se-ia de forma parcelada durante os próximos três anos. A revolta também foi grande, isto porque tal incorporação das gratificações aos salários, em várias faixas da corporação, chegava inclusive a reduzir a remuneração geral recebida.

Em síntese, o aumento virou um pseudo-aumento. elhora no final das contas pq ele retirou

“O governo parecia mais interessado em tirar uma selfie com líderes políticos egressos da PM, do que em resolver a situação”, disse (em off) fonte ligada ao movimento. “Qual categoria continua ganhando somente o valor do salário sem aumento nenhum e não reinvidica? Não houve qualquer reajuste desde 2014. Nem reposição inflacionária. Nada!”, acrescenta a fonte, aumentando o tom.

“Camilo prometeu na primeira eleição dele pagar a média salarial da região nordeste e não cumpriu. Prometeu na segunda eleição e também não cumpriu. Fora várias outras promessas não cumpridas. A tropa parou porque cansou de inclusive ouvir mentiras do tipo ‘um soldado cearense receber 8 mil reais por mês’. O governo usou e abusou da tropa”, concluiu.

 Cabo Sabino Anselmo — Esta paralisação da PM tem como pano de fundo as próximas eleições municipais em Fortaleza. Isto porque desde o início do movimento a greve foi percebida pelo governo como forma de desgastar o pré-candidato Capitão Wagner — que lidera com folga as pesquisas na capital, com cerca de 45% de intenção de votos, segundo dados do instituto Paraná Pesquisas.

Wagner ameaça de forma direta a fadigada oligarquia Ferreira Gomes, que domina o Ceará desde 2010, controlando o governo e as principais prefeituras cearenses, incluindo a capital.

O momento é de crítica aberta aos Ferreira Gomes, que são questionados pelo acúmulo de poder, estão embaraçados na Operação Lava Jato e também são cobrados por decisões administrativas equivocadas que geraram milhões de prejuízos aos cofres públicos cearenses, como o Aquário e os Tatuzões.

A expectativa é que os Ferreira Gomes mais uma vez surpreendam o eleitorado e usem de toda astúcia política para impedir a vitória anunciada de Wagner em Fortaleza.

Mas nem tudo está saindo como das outras vezes. Na semana passada, por exemplo, o senador Cid Gomes (PDT) chegou a anunciar aliança PDT com o PT, mas no mesmo dia foi atropelado pela direção nacional do PT, que anunciou como pré-candidata a deputada federal e ex-prefeita de Fortaleza Luizianne Lins.

A notícia de Luizianne como candidata do PT foi uma ducha de água fria na jogada que armava Cid Gomes com o pseudo-petista Camilo Santana. No Ceará todos sabem que Camilo é mais um vassalo dos Ferreira Gomes que governador ou petista.

O que causa estranheza no contexto dessa paralização da PM não é o pleito reivindicatório dos policiais, mas a inércia do governador Camilo Santana, que não demonstrou o mínimo apetite para sentar na mesa de negociações com a PM.

“Camilo está orientado para botar pilha nesta estranha greve. Repare que o impasse é por enquanto o objetivo e que a greve foi deflagrada por um ex-aliado dos Ferreira Gomes, no caso o cabo Sabino.

Cabo Sabino foi deputado federal de apenas um mandato. Foi eleito pelo Capitão Wagner, mas rompeu após cair no canto da sereia Ferreira Gomes. Agora, estranhamente, o cabo volta-se contra o governo que defendeu ao ponto de romper com quem o elegeu. “Das duas uma: ou Sabino é um Cavalo de Tróia ou é um Cabo Anselmo”, comenta (em off) um coronel da PM na reserva.

Cabo Anselmo foi um famoso agente duplo usado para radicalizar a Revolta dos Marinheiros, que deu início à série de eventos que culminariam na derrubada de João Goulart em 1964.