Influenza e pneumonia mataram 81 mil pessoas no Brasil em 2018 e 24 mil no inverno da Itália de 2017

Influenza e pneumonia mataram 81 mil pessoas no Brasil em 2018 e 24 mil no inverno da Itália de 2017

Por influenza e pneumonia em 2018, no Brasil, foram 222 óbitos ao dia, e apenas no inverno da Itália, em 2017, uma média 277 óbitos dia. Coronavírus matou cerca 123 ao dia desde o início da epidemia na Itália.

Em meio à pandemia de coronavírus com diversos dados ainda pouco claros sobre número de infectados e óbitos, muitos estão se perguntando sobre a real magnitude da atual pandemia frente ao caso da Itália, que registra mais de 12 mil óbitos por coronavírus. Nesse sentido, urge conhecer um pouco melhor a magnitude da mortalidade de doenças similares a que enfrentamos, em especial, no contexto da Itália e do Brasil.

Coronavírus na Itália
Se calcularmos desde o início do inverno até 31/03, a Itália teve uma média de 123 óbitos ao dia por coronavírus, mas existem questionamentos sobre a causalidade e a correta classificação das mortes durante a epidemia. O inverno na Itália acabou em 20 de março e acredita-se que o número deva cair a partir dessa semana.

Brasil
No nosso país, apenas por influenza e pneumonia, segundo o Datasus, morreram 81,4 mil pessoas em 2018, o que dá uma média diária de 222 pessoas.

Os números de mais de 500 óbitos ao dia na Itália certamente assustam, e o formato da curva da epidemia desafia o sistema de saúde por agrupar a demanda em um curto período de tempo, gerando mais mortes por insuficiência de recursos de saúde. Ao mesmo tempo, é importante ter uma noção das grandezas da mortalidade por causas semelhantes, como é o caso da influenza, para evitarmos um estado de pânico que pode levar pessoas ao desespero extremo e a sociedade a perda de vidas por outras causas de morte, como suicídio, por exemplo.

Influenza na Itália pode matar mais que coronavírus?

Segundo um artigo acadêmico que analisou em detalhes o contágio e os óbitos na Itália por influenza (H1N1 e variantes), no inverno italiano de 2015/2016 (de dezembro a março = 90 dias), a influenza matou entre 14,4 mil e 17 mil italianos. No inverno de 2016/17, foram 24.981 óbitos (média de 277 óbitos/dia), o pior ano da série. Nos anos com menor número de óbitos a estimativa ficou na faixa de 5 a 6 mil, em uma média de 70 a 80 óbitos ao dia no inverno, conforme dados do mesmo estudo.

Façamos um exercício mental especulativo: neste inverno 2019/2020, na Itália, se houver uma mortalidade por influenza na faixa de 200 óbitos dia, o que não é o pior cenário para a Itália segundo a série do estudo acima mencionado, o adicional de mortes por covid-19 acumulado até 31/03 representaria um aumento de 38% na mortalidade de gripe e pneumonia. Esse aumento é muito triste e pesaroso, mas parece um quadro menos dramático do que algumas manchetes nos sensibilizam, isso porque estamos começando a compreender a magnitude dos números e problemas de saúde existentes no país em análise. Esse exercício toma por base apenas os 90 dias de inverno, mas uma análise de 12 meses poderia, possivelmente, atenuar a variação (de 38% no exercício especulativo), sendo algo menos assustador, ainda que seja evidente a gravidade e seriedade da pandemia que vivemos. Cada vida tem valor incalculável e tudo deve ser feito para preservá-las, mas um problema de saúde pública tem que ser visto dentro do contexto, exatamente para sabermos avaliar e lidar com ele.

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