Governo de São Paulo manda legistas considerarem “portador potencial de infecção por Covid-19” qualquer um que morreu

Governo de São Paulo manda legistas considerarem “portador potencial de infecção por Covid-19” qualquer um que morreu

Com informações do Antagonista.

Uma resolução da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo coloca mais uma pulga atrás da orelha do povo brasileiro sobre a epidemia Covid-19/Coronavirus. A resolução determina que “qualquer cadáver, independentemente da causa da morte ou da confirmação de exames laboratoriais, deve ser considerado um portador potencial de infecção por Covid-19”.

Segundo levantamento da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), realizado em 2018, 297,8 mil residentes morreram no Estado de São Paulo. Desses, 72% tinham mais de 60 anos de idade e 20% acima dos 85 anos.

A resolução do governo paulista foi publicada nesta sexta-feira (27/03) no Diário Oficial do Estado de São Paulo, mas foi assinado no dia 20 de março. Sua publicação coincide com o acirramento da campanha aberta do governador de São Paulo João Dória (PSDB) contra o presidente Jair Bolsonaro.

A determinação abre brecha para inflar registros de  “vítimas do Covid-19”.

A norma estabelece que “todo cadáver, com suspeita ou não de infecção pelo Covid-19 (novo Coronavírus), em ambientes extra ou intra-hospitalar, sem nenhum indício ou suspeita de crime, ficará sob responsabilidade do Serviço de Verificação de Óbitos do Município (SVOM)”.

A resolução fixa medidas de enfrentamento e contenção ao Covid-19, no âmbito da Superintendência da Polícia Técnico-Científica, nos seus Institutos Médico-Legal e na Criminalística.

O governo de São Paulo diz que as regras são para “resguardar a saúde dos servidores da perícias criminal oficial, quanto para reduzir as possibilidades de contágio e disseminação da doença”.

Doria contra Bolsonaro — Ontem (26/03), durante a videoconferência do presidente com os governadores, para debater a crise causada pela covid-19, o governador João Dória provocou Bolsonaro. Disse que o presidente deveria "dar exemplo ao País e não dividir a nação em tempos de pandemia".

Bolsonaro revidou. “Agradeço as suas palavras, seu governador, completamente diferente e dissociada por ocasião das eleições de 2018, onde vossa excelência apoderou-se do meu nome para se eleger governador. Acabou as eleições, como fizeste no passado, quando depois de se elegeu pra Prefeitura, virou as costas e começou a atacar covardemente aquele que emprestou o seu nome pra sua campanha. Guarde essas suas observações para as eleições de 2022, onde vossa excelência possa destilar todo o seu ódio e demagogia por ocasião da eleição. Nós aqui temos responsabilidade. Desde o final das eleições de 2018, vossa excelência assumiu uma postura completamente diferente àquela que teve comigo até por ocasião do meu pronunciamento na ONU. Hoje subiu à sua cabeça a possibilidade de ser o presidente da República. Não tem responsabilidade, não tem altura para criticar o governo federal que fez completamente diferente", afirmou Bolsonaro.

Doria voltou a insistir no bate-boca e após a reunião, usou sua conta no Twitter para “lamentar a postura do presidente”, afirmando que sofreu um ataque "descontrolado" e que Bolsonaro só queria falar de eleições e política.