Economia do Ceará perde posição no PIB 2017 e desempenho ficou atrás do Piauí, Maranhão e Alagoas

Economia do Ceará perde posição no PIB 2017 e desempenho ficou atrás do Piauí, Maranhão e Alagoas

A máquina de propaganda do governo do Ceará está solta nas ruas, anunciando que o PIB 2017 cearense cresceu, segundo relatório divulgado ontem (20/11) pelo IBGE.

A notícia está na manchete dos principais jornais cearenses e também foi compartilhada pelo governador Camilo Santana em suas redes sociais. Contudo, na prática, o resultado do Ceará no PIB 2017 foi outro bem diferente do alardeado.

Diferente do publicado, economia do Ceará teve variação negativa na Indústria (-2,8%); perdeu posição para o Pará; e ficou em 18º no PIB 2017 — crescimento menor que Piauí, Maranhão, Pernambuco e Alagoas.

A rigor, o PIB cresceu em todos Estados. Após dois anos consecutivos de queda, 2015 (-3,5%) e 2016 (-3,3%), o PIB do Brasil voltou a crescer em volume: 1,3% em 2017 na comparação com 2016.

No ranking do IBGE, 18 estados da Federação ficaram com variações médias do PIB superiores à do Brasil, ficando o Ceará na 18ª posição, atrás de estados como Maranhão, Piauí, Alagoas e Pernambuco. E 9 estados tiveram variações médias do PIB inferiores à do Brasil.

Em 2016, o estado do Ceará ocupava a 11ª posição maior economia do País. Agora, foi ultrapassado pelo estado do Pará e voltou para 12ª posição, mesma posição que ocupava em 2014.

Ceará também teve variação negativa no PIB da Indústria, com retrocesso de -2,8%.

O crescimento no setor Serviços (onde fica o segmento do Turismo) variou menos de 1%, foi de apenas 0,7% — atrás do Rio Grande do Norte, por exemplo.

A economia cearense foi salva pelo crescimento positivo de 32,5% da Agropecuária — setor que deve ser abalado no futuro pela proibição da pulverização aérea de defensivos agrícolas no Ceará, Lei Estadual nº 12.228/ 93, de autoria do deputado estadual Renato Roseno (PSOL), sancionada pelo governador Camilo Santana.

Essas e outras informações estão disponíveis nas Contas Regionais 2017, elaboradas em parceria com os Órgãos Estaduais de Estatística, Secretarias Estaduais de Governo.

PARÁ ULTRAPASSA CEARÁ - As Unidades da Federação que avançaram na participação do PIB foram Pará (0,2 p.p.), Santa Catarina (0,1 p.p.), Pernambuco (0,1 p.p.), Minas Gerais (0,1 p.p.) e Rondônia (0,1 p.p).

O ganho de 0,2 p.p. de participação do Pará garantiu o avanço da 12ª para a 11ª posição relativa, posição ocupada pelo Ceará em 2016.

O resultado do Pará ocorreu em virtude do ganho de Indústrias extrativas (0,7 p.p.), em especial a extração e pelotização de minério de ferro, que se beneficiou com a elevação do preço do minério de ferro de 12,3% em reais, entre 2016 e 2017, associado ao aumento de produção com a entrada em operação do Complexo S11D no final do ano de 2016.

Também contribuiu para o desempenho do Pará o ganho de 2,9 p.p. de participação na atividade de Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos e descontaminação, já que, ao longo de 2017, o estado aumentou a produção a partir do aumento de número de turbinas em operação na Usina Belo Monte.

AGRO FOI TUDO - Entre os estados da Federação, apenas Rio de Janeiro (-1,6%), Sergipe (-1,1%) e Paraíba (-0,1%) tiveram variações negativas totais, ocupando, respectivamente, a 27ª, 26ª e 25ª posições no ranking de variação de volume.

Em 10 das 18 Unidades da Federação com variação em volume do PIB superior à do Brasil, o desempenho da Agropecuária foi determinante, especialmente da Agricultura, inclusive apoio à agricultura e à pós-colheita, que em 2016 foi afetada por condições climáticas desfavoráveis.

Assim, os quatro maiores resultados em volume (Mato Grosso, Piauí, Rondônia e Maranhão) tiveram as maiores influências da Agropecuária, sobretudo os cultivos de milho, algodão e soja; e ainda na produção de leite em Rondônia.

A Agropecuária teve a principal influência nas perdas de participação do Rio Grande do Sul e Mato Grosso, em virtude da redução dos preços de seus principais produtos em 2017: milho, soja e arroz; e ainda, em Mato Grosso, algodão herbáceo.

QUEDA NA CONSTRUÇÃO — Entre as 18 Unidades da Federação com variação em volume do PIB superior ao Brasil, as nove federações com variação em volume negativo na Indústria tiveram seus resultados fortemente influenciados pelo desempenho da Construção em 2017, acompanhando o panorama nacional.

Entre 2016 e 2017, o Sudeste e o Centro-Oeste perderam participação no PIB nacional. A perda de participação de São Paulo (-0,3 ponto percentual) puxou a queda da região. Já no Centro-Oeste, Mato Grosso e Distrito Federal perderam, cada um, 0,1 p.p. Minas Gerais teve ganho de 0,1 p.p., enquanto os demais estados mantiveram seus pesos.

Apesar do ganho de 0,1 p.p. de Santa Catarina, o Rio Grande do Sul teve perda equivalente, mantendo o Sul em estabilidade.

Norte e Nordeste ganharam 0,2 p.p. cada, sendo as participações de 2017 as maiores da série analisada: 5,6% e 14,5%, respectivamente.

A perda de 0,3 p.p. de São Paulo é explicada, principalmente, pela Atividade financeira, seguros e serviços relacionados, em virtude de sua redução na participação das operações de crédito e de depósitos do País. A Construção também influenciou no desempenho relativo de São Paulo, uma vez que a atividade reduziu seu peso no total da economia brasileira entre 2016 e 2017 em 0,8 p.p., e o estado participa com cerca de 30% desta atividade.

Piauí e Maranhão tiveram recuos de 3,8% e 3,5% no setor industrial, respectivamente, por influência da Construção: -9,8% e -10,2%.

Outros dados do PIB 2017 segundo IBGE:
1. Sudeste continuou concentrando mais da metade do PIB nacional, 52,9%. Mas, entre 2016 e 2017, Sudeste e também o Centro-Oeste perderam participação no PIB nacional, puxados por São Paulo, Mato Grosso e Distrito Federal.

2. Os estados da Federação que mais ganharam participação foram Pará, Santa Catarina, Pernambuco, Minas Gerais e Rondônia.

3. São Paulo e Rio de Janeiro, a primeira e segunda economias do País, foram os dois estados com a maior perda de participação no PIB entre 2002 e 2017. Em São Paulo, que perdeu 2,7 p.p., a redução distribuiu-se principalmente na Agropecuária, Indústrias de transformação e Construção. No Rio de Janeiro (que reduziu sua participação em 2,2 p.p.) foi em Indústrias extrativas que ocorreu a maior perda relativa: o estado representava 60,0% da atividade nacional em 2002 e passou a 31,0% em 2017.

4. Distrito Federal (Brasília) manteve-se como maior PIB per capita brasileiro, R$ 80.502, cerca de 2,5 vezes maior que o PIB per capita do País.

5. Rio de Janeiro foi o único estado a ter variações negativas na Agropecuária (-2,0%), além da Indústria (-3,1%) e dos Serviços (-1,5%) e foi fortemente afetado pelos desempenhos das atividades: Atividades profissionais, científicas e técnicas, administrativas e serviços complementares (-8,2%), Construção (-14,8%), Comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas (-2,5%) e Administração, defesa, educação e saúde públicas e seguridade social (-0,7%), que, juntas, somavam 48,5% de sua economia em 2016.

6. Sergipe e Paraíba devem grande parte de seus resultados negativos à retração da Indústria, em função do setor de Construção, com resultados de -13,2% e -11,2%, respectivamente. Além disso, houve redução na produção de energia elétrica pela usina de Xingó em Sergipe e das Indústrias de transformação na Paraíba.

7. Bahia apresentou estabilidade (0,0%), com a queda da Indústria (-2,9%) sendo compensada pelos crescimentos da Agropecuária (7,1%) e dos Serviços (0,2%).

8. São Paulo, a maior economia do País, variou apenas 0,3% em 2017. Os principais resultados negativos foram da Construção (-8,5%), Atividade financeira, seguros e serviços relacionados (-3,3%) e Serviços de Informação e comunicação (-1,4%). O desempenho na Construção acumulou queda de 23,4%. Já no caso da atividade financeira, o desempenho em volume está relacionado à redução das operações de crédito, pelo segundo ano consecutivo, somado à redução da taxa Selic, uma vez que São Paulo é responsável por mais de 50% da atividade financeira brasileira.

9. Apenas Mato Grosso e Rondônia apresentaram crescimento em volume na Indústria (2,0% e 8,1%, respectivamente), muito influenciado pelo aumento de produção de energia elétrica das usinas Teles Pires em Mato Grosso e Santo Antônio e Jirau em Rondônia.

10. Nos Serviços os quatro estados com os maiores resultados apresentaram crescimento em volume: Mato Grosso, 3,2%; Piauí, 2,0%; Rondônia, 1,6%; e Maranhão, 4,1%. O resultado de 4,9%, 3,0% e 6,2% do Comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas foi determinante para Mato Grosso, Rondônia e Maranhão. No Piauí, a atividade de Alojamento e alimentação apresentou crescimento de 10,2%.

11. Amazonas teve resultado positivo influenciado pelo desempenho das Indústrias de transformação (11,2%), relacionado à fabricação de equipamentos de informática, e do Comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas (7,5%), que representavam juntos 38,5% de sua economia em 2016.

12. Contribuiu para a perda de participação do Rio Grande do Sul reduções dos segmentos de refino de petróleo e coque e da fabricação de produtos químicos orgânicos e inorgânicos em Indústrias de transformação, não compensados pelo ganho de participação da fabricação de máquinas e equipamentos, além da atividade de Construção.

13. Em Mato Grosso, a perda de participação também foi motivada pela queda da fabricação de produtos alimentícios em Indústrias de transformação.

14. A perda de 0,1 p.p. de participação observada no Distrito Federal está relacionada à redução da participação nos impostos, líquidos de subsídios, sobre produtos, efeito da queda da arrecadação do Imposto sobre Operações Financeiras – IOF, já que o Distrito Federal manteve a participação no total do valor adicionado bruto do Brasil.

15. Santa Catarina, que tinha perdido a 6ª posição relativa para Bahia em 2016, volta a ser o 6º maior PIB em 2017, posição que ocupava desde 2011. O ganho de participação de Santa Catarina está relacionado ao avanço de 0,5 p.p. nas Indústrias de transformação, principalmente na metalurgia, fabricação de produtos de madeira, exceto móveis e ainda ao aumento da participação no total dos impostos, líquidos de subsídios, sobre produtos do País.

16. O avanço de Pernambuco (0,1 p.p.) é explicado pelas Indústrias de transformação, impulsionado pelo segmento de fabricação de automóveis, camionetas e utilitários, sendo que em 2017 o estado já respondia por quase 30% deste segmento.

17. O aumento de participação de Minas Gerais está relacionado a Indústrias extrativas que, assim como o Pará, se beneficiou com a elevação do preço do minério de ferro em 2017. O estado avançou 0,4 p.p. no País na atividade Indústrias de transformação, devido à fabricação de produtos alimentícios e à metalurgia.

18. Rondônia, com ganho de 0,1 p.p. entre 2016 e 2017, avançou em função de Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos e descontaminação devido ao aumento de produção das usinas de Santo Antônio e de Jirau em 2017, as duas hidrelétricas estiveram entre as cinco maiores geradoras do País.

19. PIB per capita do Brasil foi de R$ 31.702 em 2017, com variação de 4,2% em valor em relação a 2016 (R$ 30.422). O Distrito Federal se manteve como maior PIB per capita brasileiro, com o valor de R$ 80.502, cerca de 2,5 vezes maior que o PIB per capita do País.

20. Depois do Distrito Federal, os maiores PIBs per capita em 2017 foram, na ordem, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Paraná.

21. Entre os sete maiores PIBs per capita, apenas Santa Catarina subiu uma posição entre 2016 e 2017, passando à frente de Mato Grosso. Já na comparação com 2002, Mato Grosso foi o estado que mais avançou sua posição relativa, passando de 11ª para a 5ª posição em 2017.

22. Maranhão (27º) e Piauí (26º), por sua vez, foram os menores PIB per capita do Brasil em 2017. Desde 2002, os dois estados nunca deixaram de ocupar as duas últimas posições, embora tenham trocado de posição algumas vezes.

23. Apesar de destacar-se como um dos menores PIB per capita ao longo da série, Piauí foi o estado em que o valor nominal desse indicador mais cresceu, aumentando cerca de 5,8 vezes entre 2002 e 2017: de R$ 2.441 para R$ 14.090.

24. Entre as regiões, em 2017 Sudeste, Sul e Centro-Oeste tiveram PIB per capita maior do que a média nacional. Nessas regiões, Minas Gerais, Espírito Santo e Goiás apresentavam indicador menor do que o nacional.

25. Já os estados do Norte e Nordeste tiveram PIB per capita inferior à média nacional em toda a série. No Norte, 2017 foi o primeiro ano em que o Amazonas não ficou na primeira posição do PIB per capita da região, ficando atrás de Rondônia e Roraima.

26. Já no Nordeste, Sergipe, que ocupava a primeira posição desde 2002, perdeu o posto para Pernambuco e Rio Grande do Norte em 2016, passando a ocupar a terceira posição na região desde então.