Colégio Militar expõe a qualidade do ensino fundamental de Sobral no Ceará

Colégio Militar expõe a qualidade do ensino fundamental de Sobral no Ceará

De cada 10 alunos que fizeram a prova para ingressar no ensino médio do Colégio Militar de Sobral (CE), no ano letivo de 2021, apenas 2 tiveram sucesso.

Apenas 20% dos 84 alunos que participaram da seleção tiveram nota maior ou igual a 5 nas provas de Português e Matemática, segundo relatório divulgado no último dia 13. Teve até quem tirasse zero na prova de Português e também na de Matemática. O resultado decepcionante confirmou mais uma vez que tem alguma coisa errada no ensino fundamental da cidade outrora tida como detentora da melhor educação do Brasil, até se envolver em escândalo de fraudes em 2018.

Dos 84 alunos classificados, apenas 8 estudantes procedentes do ensino fundamental das escolas da prefeitura conseguiram ser aprovados para ingressar no 1º ano do ensino médio, número insuficiente para formar se quer uma turma das três disponíveis. As provas foram elaboradas com 10 questões de Português e 10 de Matemática. Para ser admitido o candidato deveria alcançar a média 5. O que não ocorreu para 80% dos inscritos.

O Colégio Militar foi implantado em Sobral pelo governo Bolsonaro em 2020. É uma escola pública de educação básica do ensino médio em que militares do Exército Brasileiro, da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e de outros órgãos da segurança pública desempenham as tarefas diretivas e administrativas. No Brasil, esta categoria de ensino é regulada pela Lei n° 9394 de 20 de dezembro de 1996, também conhecida como Lei de Diretrizes e Bases da Educação, em seu artigo 83.

Em 2018 o jornalista Wellington Macedo fez uma série de denúncias de fraudes usadas para manipular o resultado das provas de larga escala tanto do Governo do Estado (Spaece), como também nas avaliações externas do Governo Federal (Ideb-Prova Brasil). O caso foi “engavetado” pelo Ministério Público do Ceará e segue numa lenta investigação no Ministério Público Federal e também com inquérito “engavetado” na polícia Federal. O Ministério da Educação também tem conhecimento das fraudes, mas diz não saber como agir para coibir a prática criminosa usada para obtenção de recursos federais e financiamentos milionários em bancos internacionais. Segundo um dos promotores que investigavam o caso, uma organização criminosa pode está gerindo o sistema educacional de Sobral e de outras cidades há mais de uma década, envolvendo diretores e diretoras das escolas municipais e até gestores da Secretaria Municipal da Educação daquele município no Norte do Ceará, e com o conhecimento do prefeito

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