CNJ identifica influência de facções criminosas entre membros do Tribunal de Justiça do Ceará

CNJ identifica influência de facções criminosas entre membros do Tribunal de Justiça do Ceará

O Plenário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) transformou a aposentadoria voluntária do ex-desembargador do TJCE Paulo Timbó em compulsória.

Segundo o relator do processo, o conselheiro Luciano Frota, há indícios de que Timbó esteve envolvido na concessão de liminares a membros de facções criminosas — esquema descoberto na Operação Expresso 150.

A decisão do CNJ de mudar a aposentoria voluntária em compulsória do ex-desembargador Paulo Timbó impõe ao presidente do Tribunal de Justiça do Ceará, Washington Luis, devassa no TJCE. A decisão do CNJ é uma desmoralização para o tribunal.

Leia parte do voto do conselheiro Luciano frota ao condenar o ex-desembargador Paulo Timbó:

“Ainda que fragmentária, as provas demonstram a adoção de comportamento incompatível com o exercício da magistratura por parte de Paulo Camelo Timbó, que deixou de cumprir e fazer cumprir, com independência, serenidade e exatidão, as disposições legais e os atos de ofício.”

Ainda de acordo com o conselheiro, as condutas analisadas revelaram atuação de uma organização criminosa liderada por advogados para viabilizar a soltura de traficantes de alta periculosidade no Ceará. Para isso, eles pagavam altas quantias a desembargadores em plantão, que emitiam as liminares.

Os envolvidos são acusados de associação criminosa, corrupção passiva, tráfico de influência, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. O esquema teria começado em 2011.

Com a palavra o presidente do TJCE, Washington Luis.

Presidente Washington, por que não saiu nenhuma decisão sobre as investigações de ilicitudes na Prefeiura de Catarina?

Vale lembrar que a aposentadoria compulsória de Paulo Timbó é só o começo. O processo agora será encaminhado ao Ministério Público do Ceará e à Procuradoria Geral do Ceará para a continuidade do processo criminal.