Fim de ano: oferta de vagas temporárias pode chegar a 4 mil no Ceará

Fim de ano: oferta de vagas temporárias pode chegar a 4 mil no Ceará

Setor produtivo indica expectativa de abertura de oportunidades semelhante à registrada em anos passados – para indústria, maior. Contratações começaram. Pelo menos 1,4 mil vagas foram encaminhadas ao sistema público de emprego.

A pandemia do novo coronavírus não deve diminuir o número de vagas temporárias ofertadas neste fim de ano no Ceará. Apenas pelo Sistema Nacional de Emprego do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (Sine/IDT), a expectativa é que sejam abertas 3 mil oportunidades, das quais 1,4 mil já foram disponibilizadas aos trabalhadores, sendo 700 apenas para o comércio. Mas já que nem todas as vagas passam pelo sistema, empresários do ramo avaliam que número de oportunidades deve chegar a 4 mil, como em anos anteriores.

De acordo com o gerente da unidade de atendimento do Sine no Centro de Fortaleza, Jidlafe Rodrigues, neste ano houve antecipação da oferta de vagas temporárias por conta das eleições municipais. Ainda em setembro, foram 767 oportunidades e mais 558 em outubro. Neste mês, até o momento, o Sine/IDT contabiliza 90 vagas, totalizando 4,5 mil em todo o ano.

“Têm algumas situações diferenciadas nos temporários neste ano. Tivemos temporários encaminhados pelo IDT para as campanhas eleitorais. Agora, estamos trabalhando com pessoal do comércio, principalmente. A expectativa é semelhante do ano passado. Até porque tem uma demanda que não aconteceu nos meses em que a pandemia impôs o isolamento e as vendas não aconteceram naquela época, mas as pessoas agora estão indo às compras e as lojas precisam se preparar”, afirma.

Além do comércio, o setor de serviços também costuma abrir volumes significativos de vagas temporárias com a chegada da alta estação de novembro e dezembro. No entanto, Rodrigues ressalta que, nesse caso, a contratação não é garantida, apenas uma expectativa, devido à menor movimentação turística.

“Nós temos essa expectativa, mas a contratação efetiva não é garantida, apenas quando realmente acontece o processo seletivo. As empresas estão se preparando, mas pode acontecer de a movimentação não corresponder ao esperado, ou não ser permitido viagens durante as festas de fim de ano. Aí então, a contratação temporária não seria no mesmo nível”, explica.

Por conta dessa incerteza, o gerente do Sine revela também que as contratações de empresas desse segmento devem acontecer mais tardiamente esse ano, mais próximo ao fim de novembro e início de dezembro.


Comércio

O presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará (FCDL-CE), Freitas Cordeiro, diz que se surpreendeu com rumores de que o volume de vagas temporárias seria menor neste ano.

“Não sei de onde foi que surgiu isso. Os outros indicadores sinalizam todos no sentido de crescimento, por sinal surpreendente, principalmente varejo. A expectativa, inclusive, é que a Black Friday neste ano supere todas as edições anteriores”, dispara.

Ele lembra que a demanda reprimida durante o período de isolamento mais rígido e os recursos distribuídos às famílias através dos benefícios emergenciais apontam para crescimento expressivo de vendas neste fim de ano.

“Vamos ter também a injeção do 13º salário. No geral, a expectativa é positiva. Devemos gerar o mesmo número de vagas de anos anteriores, cerca de 3,5 mil a 4 mil vagas somente no varejo de Fortaleza”, revela.


Serviços

As barracas de praia também já iniciaram a contratação de temporários para a alta estação que se aproxima. A presidente da Associação dos Empresários da Praia do Futuro (AEPFuturo), Fátima Queiroz, esclarece que, mesmo com a pandemia e a menor movimentação de turistas de fora do Estado, a atividade ainda precisa de equipes extras.

“Na alta estação, a praia tem movimento diário, enquanto agora temos clientes essencialmente na quinta à noite, sábado e domingo. Então, precisamos de equipes durante a semana também. Todo ano a gente anuncia a necessidade de contratação, este não vai ser diferente”, destaca a presidente da associação AEPFuturo.

Queiroz estima que, ao todo, deverão ser de 200 a 250 vagas abertas para o segmento, sendo a maioria para chefe e auxiliar de cozinha, barman, garçom, cumim e estoquista. Ela ainda aponta que, para alguns cargos, são aceitas pessoas sem experiência na função, já que há treinamento aos contratados. “Nós até já começamos a contratar. Na nossa barraca mesmo já entrevistamos dez pessoas na semana passada. Precisamos chegar dezembro com a equipe redonda”, diz.

Entre os restaurantes, porém, o cenário é diferente. O presidente do Sindicato de Restaurantes, Bares, Barracas de praia, Buffets e similares do Estado de Ceará (Sindirest-CE), Dorivam Rocha, revela que poucos restaurantes vão contratar neste fim de ano por ainda estarem enfrentando dificuldades e permanecerem limitados pelas medidas de distanciamento social.

“Alguns restaurantes localizados no litoral e na serra ainda irão abrir algumas poucas vagas por serem pontos de atração do turismo interno. Não estamos recebendo muitos estrangeiros como em períodos normais, mas o turismo interno está aquecido. As pessoas que ficaram enclausuradas e não se sentem seguras para voar acabam fazendo esse turismo interno, no litoral e nas serras”, explica Dorivam Rocha.
Indústria

Para atender à demanda crescente, principalmente do comércio, a indústria cearense também deve abrir vagas temporárias. O vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), André Montenegro, estima que as contratações devem ocorrer em intensidade ainda maior que anos anteriores, devido à demanda reprimida do período de quarentena, em que as empresas de atividades não essenciais ficaram fechadas.

“Está faltando alguns produtos, matéria-prima, e a indústria está trabalhando a todo o vapor para atender. Não tenho o número de vagas que devem ser disponibilizadas, mas vai ser expressivo”. Ele detalha que a maioria das oportunidades deve ser para cargos de chão de fábrica.


Efetivação

O gerente da unidade do Sine no Centro, Jidlafe Rodrigues, lembra que, passado o período do contrato temporário, cerca de 20% dos trabalhadores conseguem uma vaga efetiva na empresa. “Essa efetivação pode acontecer em dois momentos: logo em seguida do término do contrato e após alguns meses, quando surge uma vaga fixa e o empregador lembra do bom desempenho daquele profissional. Até seis meses, a gente ainda considera fruto dessa contratação temporária”, explica.

Ele orienta que os interessados em uma colocação temporária se preparem da mesma maneira que para uma vaga efetiva, destacando que as exigências e requisitos costumam ser os mesmos.

“Nessa época, uma das habilidades que a gente tem precisado desenvolver é a da comunicação via meios eletrônicos. Temos muitas entrevistas que estão sendo feitas de forma remota, seja por áudio ou vídeo, e os candidatos precisam estar preparados para isso. É preciso conhecer o manuseio da plataforma que será utilizada e, na hora da entrevista, estar em um lugar adequado, silencioso, preparado para ter esse momento com selecionador”, aconselha o gerente do Sine/IDT.