Emprego intermitente disparou após reforma trabalhista, aponta estudo

Emprego intermitente disparou após reforma trabalhista, aponta estudo

O Brasil criou 492 mil novos empregos formais de outubro de 2018 a outubro deste ano, de acordo com estudo do Depec (Departamento de Estudos e Pesquisas Econômicas) do Bradesco. Os empregos intermitentes –de até 20h semanais–correspondem a 27% do número total de vagas criadas, segundo o levantamento.

A pesquisa foi divulgada nesta 4ª feira (4.dez.2019) e se baseia no Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Segundo os dados, foram criadas 133 mil vagas na categoria de até 20 horas semanais no período de 12 meses até outubro deste ano. O número corresponde a praticamente o quádruplo do que foi registrado há apenas 2 anos: 28 mil vagas em 2017.

Os economistas do Bradesco indicam uma relação entre os números recentes e a reforma trabalhista de 2017. A nova legislação permite contratar 1 funcionário com jornada de trabalho menor. “Assim, era esperado que a criação de vagas de trabalho formal com menos horas semanais fosse impulsionada, o que de fato está ocorrendo”, explica o estudo.

emprego graficos© Reprodução/ Depec – Bradesco

Apesar do crescimento considerável, a contratação de trabalho intermitente ainda não é decisiva dentro da melhora do Caged nos últimos anos”, ponderam os pesquisadores. O levantamento indica que o emprego formal continuaria crescendo mesmo sem a contribuição das vagas intermitentes.

De acordo com o Caged, foram criados 529,6 mil empregos formais em 2018. Apenas de janeiro a outubro deste ano, foram criadas 841,6 mil novas vagas.

O estudo do Depec do Bradesco descarta a hipótese de que o emprego formal esteja crescendo pela adoção de trabalhos secundários (quando a mesma pessoa trabalha em 2 empregos).

“Em termos relativos, o trabalho secundário está nos mesmos patamares de antes da recessão [econômica], ainda que tenha crescido desde 2017”, explicam os pesquisadores.