Como organizar o orçamento familiar com as contas do início do ano

Como organizar o orçamento familiar com as contas do início do ano

Especialistas ponderam que, caso haja reservas disponíveis, pagamento de tributos deve ser quitado à vista. Planejar-se com antecedência é a principal dica, mas há como manter-se no azul começando a calcular as faturas agora

Em todo início de ano, algumas despesas - além das mensais - chegam para abocanhar parte do orçamento das famílias, como os gastos com veículos (IPVA, seguros, DPVAT), educação (matrícula, material escolar, uniformes), IPTU ou mesmo pagamentos das dívidas feitas no período das festas de Fim de Ano. Neste momento, segundo especialistas, o ideal é ter separado uma reserva de emergência para quitar esses boletos à vista, sem usar os recursos destinados às contas fixas.

Sem este preparo, parcelar algumas despesas pode ser a saída, mas é preciso ter cuidado para não acumular dívidas.

"Neste período, é importante a família sentar e revisar o orçamento para colocar no papel a maior imprevisibilidade possível de despesas. Nos primeiros meses, chegam gastos que todo mundo já conhece, então, é possível se preparar", diz Daniel Varajão, planejador financeiro da C6 Bank.

Na visão do especialista em finanças, caso o consumidor tenha alguma reserva em dinheiro disponível, impostos como Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) e Imposto Sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) devem ser quitados à vista, já que alguns municípios oferecem descontos vantajosos.

Para o IPTU, o Município de Fortaleza confirmou que a cobrança do imposto de 2020 será taxada pela inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o qual, segundo o boletim Focus do Banco Central, deve se manter na ordem de 4,04%.

Em relação ao IPVA, os contribuintes que efetuarem o pagamento da cota única até o dia 31 de janeiro terão desconto de 5%. Depois do prazo, os proprietários de veículos poderão parcelar o valor em até cinco vezes.

Já o seguro por Danos Pessoais por Veículos Automotores Terrestres (DPVAT), se confirmada a decisão do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), será cobrada uma taxa de R$ 5,21 aos veículos de passeio e táxis, e R$ 12,25 para motocicletas neste ano.

Parcelamento

"É importante avaliar como pagar o IPTU e IPVA, porque esses impostos você pode parcelar. No Ceará, o IPVA tem o desconto de 5%. Claro que pagar parcelado pode ser uma necessidade porque existem despesas que estão se acumulando, como a matrícula, que não tem alternativa: não dá pra deixar para o outro mês. Mas quem puder pagar à vista, o percentual de 5% é mais que a taxa de juros da Selic, que é 4,5%", aconselha Varajão, afirmando que, "para quem está com uma realidade mais difícil, ao pagar à vista, já tem possibilidade de parcelar outra despesa 'extra' com um controle maior".

O planejador financeiro também acrescenta que, na maioria dos casos, os gastos do Natal ultrapassam os recursos disponíveis, e alguns consumidores acionam o crédito rotativo do cartão de crédito, o que pode gerar mais dívidas no começo do ano, persistindo durante vários meses.

"Se a pessoa fez o orçamento e viu que não coube dentro do mês, ela usa o cartão de crédito só para pagar no próximo mês. Aí vai cair no rotativo do cartão de crédito, que tem juro alto e deve ser evitado. Se o cartão for usado apenas como ferramenta, aí pode pagar sem problemas. É até uma vantagem para ganhar programas de milhas. Agora, se for estourar, você pode ficar inadimplente", alerta.

Educação

Varajão ainda comenta que, em relação aos gastos com educação, as famílias devem buscar alternativas para tentar minimizar os custos. "É importante levantar algo que não é uma novidade, mas pode ajudar bastante: são as feiras de trocas de livros ou de outros produtos escolares. Existem pais que trocam os uniformes e livros, só isso já economiza muito. Os pais podem se voluntariar para organizar essas feiras", diz.

Já as matrículas nas instituições particulares devem estar listadas como gastos fixos do mês de janeiro. "Isso já deveria estar no orçamento, porque é algo previsível, não tem jeito: você tem que pagar no primeiro mês, não tem a possibilidade de parcelar nas escolas", acrescenta.

Principal erro

A diretora do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Ceará (Ibef), Darla Lopes, explica que o principal erro dos consumidores é não guardar dinheiro para gastos sazonais e de emergência. Para ela, é possível separar uma parte do 13° salário para quitar esses gastos.

"Para evitar ficar na inadimplência, o ideal seria estabelecer verbas para determinados gastos, como os para consumo no Natal e para os extras de janeiro. É importante separar uma parte dessa renda para consumir, mas é preciso observar o que vem para o próximo ano", revela.

Aos consumidores que já iniciaram o ano com dívidas, Darla recomenda que façam um novo orçamento para saber quais são as despesas e quanto de receita existe para quitar as contas e sair do vermelho.

Estilo de vida

"Também é necessário reduzir os gastos relacionados ao estilo de vida. Geralmente, é mais fácil economizar dinheiro em algumas atividades de lazer. Exemplo: sair menos no fim de semana, mudar para academia mais barata, fazer passeios mais baratos. Além disso, também é possível economizar nas despesas básicas, observando se o padrão de vida que você sustenta é realmente seu", aconselha.

Para a diretora do Ibef-CE, é preciso avaliar o estilo de vida para adequar-se ao seu orçamento: "Às vezes, você precisa recuar para depois ir para um padrão de vida melhor".