Utopia: diferente, mas excelente

Utopia: diferente, mas excelente

Chega a parecer de propósito o timing da adaptação desta subestimada obra britânica.

Em 2019, enquanto a versão americana da série britânica de 2013 estava em produção, nenhum dos envolvidos poderia imaginar que seu lançamento se encaixaria em um momento tão... Propício, talvez? Você já vai entender.

Há algumas pequenas diferenças entre as versões, mas nada que comprometa a veia central. Na versão britânica a história fala sobre Utopia, uma graphic novel (série em quadrinhos ou edição única, como Watchmen, que conta um arco fechado com começo, meio e fim) praticamente independente e de algum sucesso.

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Como uma obra rebuscada ela possui os fãs dos desenhos, dos diálogos e da história na superfície, como também fãs que analisam mais profundamente, que começam a encontrar códigos e mensagens. O quadrinho Utopia acompanha Jessica Hyde, uma garotinha filha de um cientista brilhante. Ambos são sequestrados pelo Senhor Coelho, o grande vilão da história e a menina é usada para forçar o cientista a criar diversas armas biológicas.

No mundo da série toda a trama se inicia quando um suposto manuscrito com a continuação de Utopia é encontrado. Um grupo de fãs, do tipo que caça códigos e pistas escondidos faz de tudo para conseguir por as mãos e desvendar o que se passa. Escondidos na primeira obra, eles encontram mensagens que fazem referências a SARS, ebola e surtos de doenças que ocorreram nas últimas décadas.

Na versão americana uma pequena diferença é que a obra original chama-se "Distopia" e "Utopia" seria sua continuação. Os personagens e eventos principais permanecem praticamente os mesmos.

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ENTRETENIMENTO OU DESINFORMAÇÃO?
Além dos surtos virais a série tem outro ponto em comum com o que estamos vivendo: as teorias da conspiração. Vivemos em um tempo no qual o presidente dos EUA, homem que por vezes deu provas de não ser alguém ponderado e informado, faz um comentário sobre beber desinfetante e nos dias à seguir explodem casos nos hospitais de pessoas que o fizeram.

Ainda que embasada em muita coisa real, o que é parte essencial de sua força, Utopia é uma obra de ficção e nada mais. Com base nos acontecimentos é triste constatar que várias pessoas levarão à sério mais do que deveriam.

MAS A VERSÃO FICOU BOA?
Bom, a primeira temporada, que é o que temos, considero um grande acerto. Ótimas atuações, as mudanças tornam a estranheza da versão britânica mais palatável para o público regular. Sasha Lane possui uma loucura e uma raiva em seus olhos que assustam desde sua primeira aparição, Rainn Wilson, o eterno Dwight de The Office, entrega com segurança o que lhe é pedido, mas meus destaques desta vez vão para John Cusack em um de seus melhores trabalhos e para Christopher Denham, que conseguiu compor o comportamento incômodo característico e peculiar de sua contra parte britânica.

Mas nem tudo são flores. A versão norte americana é mais industrializada. A paleta do cores da série original é vibrante e característica, a série em si é mais vibrante, o medo é mais palpável, menos previsível, sem falar que a versão britânica se permite ser violenta o quanto ela precisa para contar a história, enquanto a da Amazon o faz, mas com doses excessivamente contidas.

Vale também comentar a qualidade dos quadrinhos mostrado em ambas as séries. Confesso não poder dizer qual dos dois é mais perturbador. Deixo aqui para você decidir.

Quadrinhos da série de 2013

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Quadrinhos da série de 2020

Primeira temporada disponível na Amazon e super recomandada, mas aviso: não é aquele tipo de série que você pode deixar passando enquanto mexe no instagram, ou troca mensagens com os amigos. Utopia trata de assuntos fortes e é uma série densa. Por várias vezes informações vão passar rápidas na tela e você pode perder, por outras tanta coisa estará sendo lhe dita, que não estar focado lhe fará perder todo o fio da meada e consequentemente, se perder na trama.

 

 

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