Tell me a story: as fábulas no mundo real

Tell me a story: as fábulas no mundo real

Usar os personagens de contos de fadas no mundo real. Acho que já vi isso em algum lugar.

Em 2002 a DC Comics, através do selo Vertigo, lançou Fábulas, um quadrinho que contava as histórias dos seres de contos de fadas em nosso mundo, após serem expulsos de seus mundos por um inimigo conhecido apenas como o "Adversário". A série de quadrinhos foi um grande sucesso de público e de crítica, sendo exaltada até hoje.

O ABC Studios lançou em 2011 a série Onde Upon a Time (Era uma vez). A história se inicia com uma maldição lançada pela Rainha Má que expulsou os seres de contos de fadas da Floresta Encantada, que perderam suas memórias e acabaram em empregos e situações similares às suas originais mágicas.

 

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MAS DE NOVO!?
Com certeza, se balançarmos as árvores do bosque encantado encontraremos mais algumas tentativas de readaptar os contos clássicos da Carochinha em versões modernas. No caso da série de quadrinhos a tentativa valeu muito a pena e recomendo demais aos que gostam da mídia.

Se já há tantas versões anteriores, porque deveria ver Tell Me a Story? Aliás, traduzido erroneamente como Me Conte uma História, quando deveria ser Conte-me uma História. Consigo ouvir o maravilhoso professor Adriano Paciello gritando "não se inicia oração com pronome oblíquo átono!". Você sabia que o correto seria "Esqueceram-se de mim" do filme de Macaulay Culkin de 1990? Mas isso é uma outra história. Afinal, há motivo para ver Tell Me a Story? Sim. Para começar que é bem divertido começar a série tentando descobrir quais as fábulas da temporada e quem são os personagens que as representam. Fiquei os primeiros capítulos pensando "quem são esses?" e isso foi bem legal. Outra bacana coisa é como eles brincam com os elementos das fábulas, as frases memoráveis e objetos, principalmente em uma em particular.

Mas nem tudo é um campo de margaridas. Há alguns momentos muito óbvios e previsíveis, que chegam a insultar a inteligência, reações de personagem que não fazem o menor sentido com a situação, mas o que dói mesmo são as forçadas de barra que o roteiro dá para chegar onde quer. Coisas do tipo, capanga mata friamente, chuta cachorro, rouba pirulito e pirateia filme via torrent, mas na hora de lidar com um personagem principal, de repente, ganha escrúpulos. Não que seja esta a situação, apenas para ilustrar sem dar spoilers.

Assim como na série A Maldição da Netflix, que teve uma resenha recente aqui no site (https://cearaemoff.com.br/lazer/a-maldicao-da-mansao-bly-uma-continuacao-sem-cara-de-continuacao) e como American Horror Story, em cada temporada de TMAS é contada uma nova história, com novos personagens, mas são mantidos vários dos atores e atrizes.

Na primeira temporada tivemos a João e Maria, Chapeuzinho Vermelho e os Três Porquinhos. Na segunda temos a Bela e a Fera, Cinderela e a Bela Adormecida. Fica bem claro que eles diminuíram a preocupação em encaixar as fábulas na segunda temporada, com muitas mais licenças poéticas em detrimento de ter um roteiro mais amarrado, mais redondo e, em minha opinião foi bem válido. De nada adiantaria a fidelidade se o resultado final parecessem um monte de cenas que não se encaixam como em um certo filme de super heróis muito famoso cheio de cenas incríveis que não fazem sentido algum juntas.

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Ainda que a segunda temporada tenha trazido uma trama e personagens um pouco melhores que na primeira, o final é um tanto "meh". Nada odioso como Dragonball Evolution ou Tartarugas Ninja 1 do Michael Bay, mas ainda assim abaixo da qualidade do restante da obra.

A série conta com as presenças de Davi Santos, jovem ator brasileiro, que participou de Power Rangers Dino Charge e Law and Order True Crime e outros nomes bem conhecidos como Kim Cattrall de Sex and the City, Odette Anable de Cloverfield e The Unborn, Eka Darville de Jessica Jones e Carrie-Anne Moss, também de Jessica Jones e nossa eterna Trinity de Matrix.

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E algo que merece destaque são as aberturas, tanto da primeira quanto da segunda. Normalmente eu vejo uma vez e passo batida nas seguintes, mas neste caso foram verdadeiras obras de arte. Realmente muito bonitas.