Os Novos Mutantes que de tanto esperarmos já ficaram velhos

Os Novos Mutantes que de tanto esperarmos já ficaram velhos

Os pobres garotos mutantes tiveram de enfrentar um inimigo terrível que já derrotou gente muito mais poderosa: o monstro da expectativa.

Nem mesmo o super aclamado Vingadores: Ultimato, filme de maior arrecadação de todos os tempos, teria sido tudo isso que foi se tivesse de enfrentar dois anos de expectativa como Os Novos Mutantes teve de enfrentar. "Mas esperamos a vida toda por Vingadores e tivemos várias esperas, como exemplo por um ano de Guerra Infinita a Ultimato". Sim, esperamos, mas não tivemos de sofrer com adiamentos. Quando deram a data, ela foi a definitiva. Todo esse movimento de "agora vai", cansa e ao mesmo tempo em que alimenta a expectativa, mata o interesse.

ENTÃO OS NOVOS MUTANTES É TÃO BOM QUANTO ULTIMATO?
Não mesmo. Mas nem de longe, mas é um filme simpático. Ele é aquele seu amigo sem grandes qualidades, que não serve para nada, mas por algum motivo, você gosta dele. Para aqueles que pegarem a referência, Os Novos Mutantes é o "Tigas" da Marvel.

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O primeiro problema do filme está no roteiro fraco. Sabe quando você está vendo um filme, trezentas coisas acontecem em sequencia e quando por acaso você olha para o relógio só se passaram quinze minutos? Pois é, aqui é o exato oposto. O filme dá e impressão de ser aguado, diluído.

Logo neste momento em que estamos um tanto saturados de filme de heróis, Os Novos Mutantes era a esperança para filmes diferentes, mas acabou ficando no meio do caminho. Um expectador que não conhece os quadrinhos, deveria sentar e se sentir assistindo um It, um Invocação do Mal, que POR ACASO, tem personagens mutantes. No fim, nem é inteiramente um filme de terror, nem é um filme de supers, é algum amorfo ali na meiúca. Foi perdida uma grande oportunidade de criar uma obra marcante e realmente interessante como Logan, que aliás é diretamente conectado a este.

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E AGORA NA DISNEY, PERDEMOS ALGUMA COISA?
Definitivamente. Ainda que o roteiro deste filme seja fraco, ainda que em vários momentos ele remeta a jogos antigos de super herói em que as cidades eram completamente vazias e mais que isso, o potêncial está lá. Ainda que a Danielle Moonstar, a Miragem, que é a personagem principal tenha sido interpretada pela Blu Hunt, aparentemente aluna número um da escola cênica do Ben Affleck e da Kristen Stewart, porque que três pessoas para atuarem mal, minha Santa Querupita! A garota desaparece quando qualquer um do elenco se junta a ela em tela, como a brasileira Alice Braga (sobrinha da atriz Sônia Braga), que faz a Doutora Reyes, Maisie Williams, a Rahne Sinclair e nossa eterna Arya Stark e principalmente a sensacional Anya Taylor-Joy, que interpreta a implicante Illyana Rasputin, a irmãzinha de Piotr "Peter" Nikolayevich Rasputin, ou apenas Colossus dos X-men. Anya esteve na recente mini série o Gambito da Rainha (https://cearaemoff.com.br/lazer/gambito-da-rainha-razao-e-sensibilidade-em-uma-belissima-minisserie) e vem esbanjando carisma e talento a cada novo papel. Você pode assistir e pensar "mas a Illyana é uma chata, como ele pôde gostar?". Primeiro o que você não gostar nela, tem a ver com a interpretação ou com o que o roteiro dizia para ela fazer? Segundo, o que me encanta nela são suas expressões, sua capacidade de deixar claro o que sente, o que está acontecendo, sem sequer precisar falar.

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Aos velhos leitores, vai ser divertido pegar alguns easter eggs e matar certas coisas antes do tempo, como o Lockhead e sobre o "chefe da Doutora". Qualquer leitor de X-Men dos anos 90s vai matar de imediato! É uma pena saber que as mesmo poucas coisas que este filme acertou serão jogadas fora no MCU.

E A TAL DA REPRESENTATIVIDADE
Aqui gostaria de abordar dois pontos. Primeiro: Roberto Da Costa, o mutante brasileiro. Também conhecido como Mancha Solar, Roberto foi criado em 82 por Chris Claremont (um dos nomes mais importantes na história dos X-Men) e Bob Mcleod. Ainda que algumas de suas interpretações tenham sido um pouco mais... "Pálidas", em sua criação e na maioria de suas aparições ele é um personagem negro. Para o filme foi dada atenção para o fato da família Da Costa ser rica e influente e para tal, escolheram um galanzinho Malhação, no caso o ator brasileiro Henry Zaga, que até entrega o pouco que o roteiro lhe pede, mas ainda assim é um "whitewash" completamente desnecessário.

 

Você que acompanha esta coluna sabe que preferimos ser até vagos a dar spoilers. Preferimos falar sobre assuntos periféricos às obras ao invés de contar cenas. Neste caso abrirei uma pequena exceção, para a qual o estou avisando, por acreditar que o assunto merece ser debatido. Não é algo que com poucos minutos de filme não se possa deduzir, mas ainda assim comentarei algo que ocorre no meio do filme. Ouvi e li algumas pessoas comentando basicamente: "ah e o que foi aquele romance lésbico que eles tentaram empurrar para cima da gente". Se você substituir uma das personagens por um rapaz, qualquer uma delas vai ver a mesma receita de centenas de filmes adolescentes em que um jovem e uma jóva se acham atraentes e simplesmente viram um casal, inclusive em vários deles com o "eu te amo" depois de uma semana de relacionamento e ninguém liga. A impressão que dá é que algumas pessoas acham que para uma mulher sentir atração por outra (ou a versão masculina desta sentença) ela precisa enviar um memorando em três vias, autenticada em cartório, com firma reconhecida e já tem que ser para casar e passar o resto da vida! Calma gente existe mera atração física também! Ouvi o mesmo sobre o final de certo desenho, sendo que aquele relacionamento foi construído durante três temporadas das quatro!

Por fim, Os Novos Mutantes é um natimorto, é fraco, mas principalmente para quem conhece, para quem leu os quadrinhos nos anos 90s e sente saudades, pode ser divertido. Meu papel aqui é informar o que o filme tem ou não, mas a minha experiência com ele foi muito positiva graças aos atores e à minha conexão prévia com estes personagens.

Vale ver? Vale. Vale pagar R$ 60,00 no cinema? Creio que não.

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