ORIGENS SECRETAS: uma agradável surpresa em um tema considerado saturado

ORIGENS SECRETAS: uma agradável surpresa em um tema considerado saturado

Um filme espanhol de super heróis que usa os mesmos ingredientes, mas tenta mudar a receita.

Sabe quando você está apenas sapiando pelos canais da TV, ou no caso de hoje em dia, navegando pelas plataformas de streaming, em busca de algo que lhe chame a atenção para ver e por puro acaso, acaba assistindo algo que lhe deixa inesperadamente satisfeito? Foi o que aconteceu.

Origens Secretas é um filme policial, lançado em agosto, cheio de meta linguagem e clichês. Sim, o longa é uma pilha quase sem fim de clichês e estereótipos, como o do nerdão gordo, barbudo (o Jovem Nerd espanhol), viciado em quadrinhos e com aquele estigma de perdedor, temos o bonitão, charmoso, chato, que age como se tivesse cinquenta anos a mais e uma artrite de matar porque não tira a carranca do semblante, temos também o mulherão, agora repaginada da mocinha indefesa que chama pelo herói até para cruzar uma poça de lama para uma mulher forte, decidida, que de tão independente, até mesmo assume seu lado que seria visto como ridículo pela sociedade, principalmente em contraste com sua profissão.

Então se o filme não passa de um amontoado de estereótipos e clichês, porque é bom? Para aqueles ainda capazes de se desligar, de apenas sentar e curtir um filme por mero entretenimento e claro, gostarem de histórias de super heróis, Origens Secretas tem grande potencial para lhe divertir.

 

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Em Origens Secretas conhecemos Cosme (Antonio Resines), um policial veterano às beiras de se aposentar, pai de Jorge (Brays Efe), dono de uma loja de quadrinhos e clássico nerd. O filme se desenrola como uma trama policial de assassino em série, que é onde somos apresentados a David Valentín (vivido por Javier Rey, sim, eu também me lembrei de Star Wars e eu também pensei "será que ele também se apresenta como Javier Rey Skywalker?"), o policial bonitão e linha dura que começa a investigar o caso, naquela dinâmica de uma pista que abre caminho para outras pistas. Com estes três apresentados é a hora de Norma (Verónica Echegui), chefe do setor de homicídios, com gostos peculiares que algumas pessoas não entenderiam.

É como ver um mundo como o de Watchmen, mas bem mais bobo, leve e ingênuo (com certeza não escrito pelo Frank "Ultra-Ranzinza" Miller) e carregado de quadrinhos de super heróis. As referências já estão inseridas no filme e na premissa, assim, mesmo que entende bulhufas ou até nem gosta de quadrinhos, não vai ficar boiando.

Não é um Coringa, está infinitamente longe de ser um Guerra Infinita, mas é um filminho divertido que com certeza vale aos que curtem quadrinhos ou simplesmente filmes policiais "não tão sérios". Lembrando que se trata de um filme espanhol, logo quem não está acostumado pode estranhar um pouco, mas nada que estrague a diversão.