Mulher Maravilha 1984: não tão mulher, não tão maravilha

Mulher Maravilha 1984: não tão mulher, não tão maravilha

Depois do atraso causado pela pandemia a continuação "que não tinha como dar errado" chega e decepciona.

O primeiro filme da Mulher Maravilha foi usado por muita gente para dizer "Warner, é assim que se faz filmes de super heróis!", assim como é comparado até hoje com seu "concorrente direto", Capitã Marvel, quando a questão é a representatividade feminina, dividindo opiniões sobre o assunto. Pessoalmente acho o filme da Diana mais empolgante (exceto o final), com mais cenas poderosas. contando Inclusive com algo que é subestimado, mas eu sou um apaixonado por isso, trilha sonora. A Mulher Maravilha tem seu tema próprio que, aliás, uau, é uma baita música! Entretanto, em termos de representatividade Carol Danvers em momento algum demonstra precisar de um parceiro ou parceira para funcionar. Ela é forte por si, decidida por si, enfrenta os medos e dificuldades por si, diferente da Mulher Maravilha, que ainda que esteja constantemente no papel de salvadora, ao invés da indefesa, no âmbito emocional em alguns momentos ela demonstra uma certa dependência.

TÁ, MAS QUAL O PROBLEMA DO FILME?
Por onde eu começo? Tá, vamos lá. Quando um filme usa uma coincidência meio forçada para que o roteiro chegue onde quer, pode ser bem chato, mas uma vezinha até Star Wars faz e tudo bem. O problema aqui é que o filme está LOTADO de coincidências e forçações de barra. Tudo cai no colo, tudo acontece na hora que tem de acontecer, o personagem certo está sempre passando na hora certa que ele deve passar e isso enfraquece muito a trama porque não há ameaça, não há urgência. "Oh meu deus, temos que abrir essa porta!", ai passa o cara que tem a chave logo em seguida.

Outro ponto onde a Patty Jenkins se perdeu feio foi como lidar com os poderes da Mulher Maravilha. Há vários momentos que a produção parece ter vergonha de que a Diana é o Superman de batom. Ela só não solta raios pelos olhos, mas o resto é tal um, o outro. Tiram "poderes novos" do olho... da mente, vindo de lugar algum, quando explicações simples teriam chegado ao mesmo lugar do roteiro. Se você já viu, sim, eu estou falando especialmente DAQUELE easter egg que seria maravilhoso se não fosse aquele invenção tirada do...

A ação do filme, no geral é mediana e muitas vezes perde a graça por causa de saltos descaradamente feitos por fios e por um comportamento tão irreal do laço mágico que parece bug. As cenes do primeiro estão anos luz à frente das desta continuação.

AH, MAS O VILÃO DO PRIMEIRO ERA MEIA BOCA, ESSE NOVO DEVE SER MELHOR!
Então... não, ele é pior. Colocaram nas mãos do nosso querido Mandaloriano Pedro Pascal o indigno papel de vilão parnasiano que finge profundidade. O cara trabalha bem, mas o roteiro o faz parecer o Dick Vigarista em vários momentos. No desenho Corrida Maluca de 68, Dick Vigarista em vários momentos pegava atalhos para sair na frente dos adversários e esperá-los com explosivos e toda sorte de armadilhas, o que sempre dava errado e ele sempre perdia a corrida, podendo aproveitar que JÁ ESTAVA NA FRENTE e simplesmente cruzar a linha de chegada em primeiro! É isso que Max Lord me fez sentir. E o que dizer da outra maravilhosa Kristen Wiig e sua Mulher-Leopardo? O melhor que posso dizer é, a personagem tem motivos para ser como é, e isso você entende e concorda na primeira das trezentas e dezoito vezes que o roteiro tenta te explicar, mas só o talento e o carisma da atriz para alivir do ridículo dos momentos sem pé nem cabeça do roteiro.

Agora vamos ao que considerei a pior parte. Além de furos, de regras que são estabelecidas para serem quebradas em seguida, de excesso de explicações e piadas de pavê dos anos 80s que já foram usadas dezenas de vezes. Não, o pior foi pegar um filme que representava tanto para as mulheres e reforçar o quanto elas não são nada sem um homem! Terrível! Será que a Warner pensou "se não tiver um colírio da Capricho no filme as mulheres não vão ver"? É sério isso? Se antes quando comparado ao Mulher Maravilha de 2017 o filme da Capitã Marvel já soava mais representativo, agora então chega a ser covardia a comparação. Sem falar que o figurinos da Capitã Marvel possuem zero apelo sexual, enquanto a Diana desfila com variações da mini saia ao vestido com talhos. Em momento algum a Carol aparece de saia curtinha ou alguma roupa provocante, ela não precisa ser toda sorridente nem jogar o cabelo cada vez que vai dizer algo. Pode-se concordar ou discordar sobre qual filme se gostou mais, mas que Capitã enaltece mais o sexo feminino sem explorá-lo muito mais que seus equivalentes da DC, isso ficou ainda mais evidente agora.

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Não vale a exposição ao vírus para ver este filme no cinema de forma alguma. Espere chegar ao streaming.

Em tempo: para alguns a cena pós créditos vai ser uma das melhores do filme.

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