Mulan, a princesa chinesa da Disney e o cerco de seus inimigos

Mulan, a princesa chinesa da Disney e o cerco de seus inimigos

De pandemia a comentários polêmicos da protagonista, o novo live action da gigante das animações chega, mas sob uma chuva de flechas

Várias indústrias ao redor do mundo estão sofrendo e até colapsando por causa da pandemia. A arte tem sido um dos setores mais massacrados pela doença. Primeiro que em sua essência várias formas de arte demandam aglomeração. Shows, peças de teatro, museus, feiras, conferências e claro, o cinema, dependem do máximo de pessoas que puderem alocar dentro de seus espaços e com o distanciamento social isso se torna um sério problema.

A Disney adiou o lançamento de Mulan, que deveria até onde pôde, na esperança de que algo acontecesse e o filme pudesse ser lançado normalmente nos cinemas. Afinal estamos vivendo uma situação, ainda que com semelhanças, em grande parte sem precedentes. Nunca se trabalhou tão rápido, em tão grande volume, com um compartilhamento tão maciço de informações a respeito de uma doença.

Além do adiamento, várias críticas já precediam mesmo a produção do filme, chamando-o de desnecessário. Com o anúncio de que nem Mushu, o carismático dragãozinho interpretado por Eddie Murphy na animação de 1998, nem as canções, vários fãs repudiaram o longa de cara.

Outra controvérsia veio da saída encontrada pela Disney. Mulan estreou nesta sexta feira no Disney+, serviço de streaming da empresa. A questão é que, para poder assistir você precisa ser assinante do serviço, que custa U$ 7,00 por mês e, além disso, pagar mais U$ 30,00 pelo acesso ao filme. Ressaltando que o acesso ao filme permanece vinculado à assinatura.

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Outro golpe grande recebido pela produção se deu por causa de um twitte publicado por Liu Yifei, que interpreta Mulan, a respeito da política aplicada em Hong Kong pela China.
O Twitte dizia: "I support the Hong Kong police. You can all attack me now. What a shame for Hong Kong".
"Apoio a policia de Hong Kong. Podem me atacar agora. Uma vergonha para Hong Kong".
Isso geral reações negativas, vários movimentos de boicote ao filme.

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OK, MAS E O FILME?
O filme possui uma linda fotografia, comum em filmes de "chinês que voa", como são mais conhecidos os chamados wuxia por aqui. É já nas primeiras cenas ele nos conta que é disse que se trata, com o grupo de Böri Khan, interpretado por Jason Scott Lee, invadindo uma muralha subindo-a correndo.

Ainda que o humor de Mushu realmente faça falta, ele teria ficado deslocado no clima mais sério e mais dramático do longa. A figura do dragão é substituída pela da fênix (o que gera certos momentos engraçados de comparação em quem assistiu aos filmes de um certo bruxo adolescente), que guia a protagonista em momentos chave.

Não que o filme seja ruim, mas há dois problemas principais de podem atrapalhar a imersão e por consequência a diversão. O primeiro é a sensação de correria. Pessoalmente não senti tempo para apreciar o que me estava sendo entregue. Me senti em um banquete no qual eu tinha apenas poucos segundos para apreciar um prato e logo ele me era tirado e outro me era servido. Eu quis me importar com os colegas de tropa. Mesmo o Ling, interpretado por Jimmy Wong, ator a quem já gosto, não me foi apresentado o bastante para me conectar.

E por falar em elenco, há de se admitir, a Disney parece ter chamado todos os atores orientais mais conhecidos nos Estados Unidos. Donnie Yen, bastante conhecido pelos filmes Ip Man, é o Comandante Tung, Böri Khan é Jason Scott Lee, conhecido por interpretar a lenda das artes marciais no filme Dragão, a História de Bruce Lee, Tzi Ma, o Embaixador Han de Hora do Rush, a belíssima Ming-Na Wen (você não acreditaria na idade dela se eu disse), a Agente May de Agents of S.H.I.E.L.D. faz uma pequena participação e ninguém menos que Jet Li como Imperador.

Entre prós e contras é um bom filme. Diverte, defende aquilo a que veio, tem personagens "gostáveis", entretanto, se a pergunta é "com a chegada do Disney+ em novembro e os valores forem diretamente convertidos, você pagaria R$ 40,00 de assinatura mais (deve ser por isso o "+" do Disney+) R$ 160,00 pelo filme?", lhe confesso que até assinaria, mas não pagaria um valor desses, mesmo tendo em mente poder ver mais vezes que uma ida ao cinema, que poderia ver quantas pessoas eu conseguisse socar em um quarto (crianças, não façam isso em casa, mantenham o distanciamento!), mesmo assim, mesmo tendo gostado do filme, ele não me vale tanto.

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