Longe dos holofotes, AWAY estreia como um sólido drama em ficção científica

Longe dos holofotes, AWAY estreia como um sólido drama em ficção científica

A nova série da Netflix levanta mais uma vez as dificuldades que envolverão a ida do homem a Marte

Elon Musk, gênio, bilionário, playboy, filantropo, por alguns visto como o Tony Stark da vida real, por outros visto como Ernst Blofeld (vilão icônico e megalomaníaco de James Bond) da era moderna. Outros apenas o veem como um maluco com muito dinheiro e nenhuma noção. Acumulando mais promessas que conquistas, o "cartaz" de Elon não é lá muito positivo, mas um mérito ele possui: reacender o interesse e os avanços da corrida espacial, tudo em torno de sua maior obsessão que é levar o homem a Marte.

"DEVEMOS CONSERTAR NOSSO PLANETA ANTES DE IR PARA MARTE"
Em um mundo ideal, seria óbvio que como espécie dominante, nosso trabalho seria por ordem na casa antes de pensar em visitar os vizinhos. Mas no mundo real as coisas acontecem de maneira um pouco diferente. Na época da guerra fria, havia todo um esforço de se provar entre os países. Havia um orgulho entre os cidadãos para serem os primeiros. Havia o interesse militar de mandar a mensagem "se eu acertei aquele ponto branco no céu, acertar uma bomba no seu jardim é moleza". Isso motivou os países a injetar muito dinheiro na corrida espacial. Como resultado temos uma série de avanços, descobertas e tecnologias nascidas deste esforço. Com Marte não será diferente. Temos uma infinidade de coisas a criar e descobrir para tornar a viagem possível.

O assunto é ponto de interesse dos aficionados por ficção científica, espaço e assuntos relacionados. Muitas produções foram lançadas nos últimos anos com foco no assunto. Em 2016 tivemos Marte, série "documental/ficcional", que conta tanto com cenas de uma "missão de mentirinha", intercalada com entrevistas com grandes nomes do mundo real, entre eles o próprio Elon. Em 2018 saiu a mini série de uma temporada The First: Viagem a Marte, que conta com atores conhecidos como Sean Penn, Natascha McElhone (de Californication e Designated Survivor) e Oded Fehr (de Resident Evil A Extinção e A Múmia).

 

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UM DRAMA COM BACKGROUND DE FICÇÃO CIENTÍFICA
Ainda que como The Expanse, série "hard sci fi" (obras de ficção que procuram se pautar ao máximo em bases científicas), Away tenha uma grande preocupação de simular os desafios reais da ida do ser humano a Marte, percebe-se que o foco no drama possui um peso semelhante e algumas vezes até maior. Além das questões familiares da Comandante Emma Green, interpretada pela excelente Hilary Swank, cada um da tripulação possui uma história bastante significativa. Sim, se você, após terminar esta primeira temporada achou que a tripulação inteira tem história até demais, você não está sozinho. Olhando friamente parece que eles escolheram o grupo mais provável de dar problemas que estavam disponíveis. Mas relevando estas pequenas forçadas narrativas, até que temos um grupinho bem interessante.

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Não que todos os personagens sejam apaixonantes à primeira cena. Há momentos que dá vontade de jogar um ou outro no vácuo (assim como há personagens em terra firme que dão a mesma vontade), mas no final das contas o saldo tende ao positivo. A qualidade mesmo das cenas melodramáticas surpreende, os atores e a direção tem grande mérito neste quesito.

A série estreou no fim de semana na Netflix e deve agradar aqueles que, ainda que olhem para o espaço tendo em mente toda sua vastidão e o quanto tudo que chamamos de importante aqui entre nós, significa menos que nada, ainda que você entenda de radiação solar, funcionamento de micro gravidade e etc, se ainda for capaz de se entregar e relevar certos detalhes como muitas vezes em que a gravidade não funciona como deveria, certamente terá uma boa surpresa.

Grandes interpretações, uma produção na medida, personagens envolventes, laços interpessoais, ainda que algumas vezes excessivos ou forçados, são funcionais. Vale muito a pena para os interessados no assunto.

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