Enola Holmes: tem suas coisas estranhas, mas não é tão super

Enola Holmes: tem suas coisas estranhas, mas não é tão super

O início das aventuras da irmã de Sherlock tinha tudo para se sair melhor, mas parece ter apenas se escorado em seu elenco

Nesta quarta feira, dia 23 de setembro estreou Enola Holmes, claramente uma iniciativa de começar uma franquia, desta vez contando as aventuras da irmã mais jovem de Sherlock Holmes.

Com Millie Bobby Brown, a queridíssima Eleven de bagulhos Sinistros (Stranger Things) no papel principal, o longa faz uma bela tentativa de empoderamento feminino. "Por que tentativa?". A lógica por trás do filme é: você conhece Sherlock Holmes, o maior detetive do mundo, um verdadeiro super humano em solucionar enigmas e reunir pistas. Sua jovem irmã é uma mulher independente e potencialmente tão brilhante quanto ele, faltando-lhe, em comparação, apenas a experiência do irmão. Ok, isso nós entendemos. Mas concorda comigo que para esta fórmula dar certo, temos que ter um bom Sherlock? Tipo, se temos um Sherlock admirável e ela é comparada a ele pelo filme, a irmã será admirável. Infelizmente o que temos é um Sherlock charmoso, bonitão, mas apático, perdido, inseguro, não temos nenhum momento "Sherlock", na verdade um ou outro momento de dedução dá vontade de dizer "ora vejam só, temos um Xeroque Rolmes!". Henry Cavill foi um bom Superman, mal dirigido e vitima de um roteirista que não entendeu o personagem, mas foi esforçado, foi um baita Geralt, até imitando a voz baixa do jogo, mas sua composição do super detetive, somada a diálogos sem inspiração e um comportamento de quem sabe que o mundo vai acabar e nada pode ser feito, acabam por prejudicar o efeito que deveria causar.

Os vários rostos conhecidos como de Helena Bronham Carter, mais conhecida por sua odiosa Bellatrix Lestrange de Harry Potter e por suas incontáveis participações em filmes do Tim Burton, que faz papel da mãe de Enola, em sua jornada inconsistente de "querer ficar longe, mas deixando pistas para ser encontrada", ou das indecisas situações que o roteiro trabalha com o Visconde de Tewksbury, interpretado pelo jovem galã Louis Partridge, que cria urgência quando quer e a ignora em seguida para poder tratar de outros assuntos.

Dito tudo isso, no fim das contas Enola Holmes é um filme divertido, um bom entretenimento, ainda que careça de mais cuidado, resultando em uma obra que diverte, mas que será vista uma vez e esquecida, o que dificulta o claro desejo das continuações. As constantes quebras da quarta parede, que é quando o personagem fala diretamente com o expectador, são em sua maioria divertidas, mas certamente vai incomodar algumas pessoas.

Como primeiro contato de uma nova geração com a família Holmes, temo que divirta, mas não faça ninguém procurar outras obras. Algo que poderia ter sido ótimo, mas se contenta em sem bom.