DES: uma minissérie perturbadora em apenas três capítulos

DES: uma minissérie perturbadora em apenas três capítulos

"Quando você olha tempo demais para um abismo, o abismo olha para você"
Friedrich Nietzsche

Des é uma minissérie em apenas três episódios, mas que pode mexer com o expectador bem mais que outras que se estendem por várias temporadas.

Você pode ou não acreditar em alienígenas que sequestram seres humanos apenas para introduzir-lhes sondas anais. Você pode ou não acreditar em aparições, poltergeists que puxam cobertores diante de câmeras noturnas. Pode ou não acreditar que demônios ou "O" diabo invade corpos e mentes frágeis, levitando seus corpos e vomitando o que não comeu. Para estes e outros pesadelos ainda existe a fuga da negação. Você ainda pode não acreditar e seguir sua vida em segurança. Mas há um mal inegável. Há um mal contra o qual a descrença é inútil e até perigosa: o puro mal humano. Ainda em debate das causas, se trata-se apenas de uma questão de ambiente em que cresceram ou por uma "marca da maldade" de nascença, mas é bastante real a existência de pessoas incapazes de se conectar empaticamente com outros seres vivos, inclusive seres humanos. A estes indivíduos, chamamos todos vulgar e erroneamente de psicopatas. Charles Manson, Ted Bundy, são alguns dos mais famosos. Há casos de assassinos que inspiram obras, como o caso de Ed Gein, base do livro de Robert Block, que seria a matéria prima do maior clássico de Alfred Hitchcock, Psicose e mais tarde o mesmo infame inspiraria O Massacre da Serra Elétrica de 74 e O Silêncio dos Inocentes de 91.

Des é uma minissérie britânica que conta a história da prisão de Dennis Nilsen, conhecido pelos amigos como "Des", um homem gentil e prestativo.

 

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 A série é brilhantemente estrelada por David Tennant, conhecido por seus trabalhos como o décimo Doctor, de Doctor Who, como Barty Crouch Jr., em Harry Potter e o Cálice de Fogo e mais recentemente como o demônio Crowley da adaptação dos quadrinhos para série Belas Maldições. Tennant interpreta de forma odiosamente fria e segura.

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Além de parecido com o verdadeiro assassino, sua composição joga gelo nas nossas veias com seus comentários mais triviais. Além dele, outros rostos conhecidos "de algum lugar" como Jason Watkins, Ron Cook (The Witcher e Chernobyl) e Barry Ward completam um elenco muito bem escolhido e dirigido.

Para aqueles (como eu), órfãos da maravilhosa série Mindhunters, posta em coma induzido pela Netflix, esta é uma história que vale a pena acompanhar.