Cyberpunk 2077: de jogo do século a ódio global

Cyberpunk 2077: de jogo do século a ódio global

Sete anos de espera, muita especulação, crunch e decepção.

O QUE DJABOS É ESSE TAL DE SAIBERPANQUE?
Cyberpunk é um subgênero do gênero de ficção científica que consiste em um mundo distópico, violento, urbano ao extremo, infiltrado por grandes desigualdades sociais, pouco valor à vida e altíssima tecnologia. Neste cenário, carros voadores, robôs, e principalmente os implantes cibernéticos estão presentes. Para você que possa não conhecer (um abraço a todos os colegas da sua caverna) implantes cibernéticos são braços artificiais super fortes, capazes de derrubar uma parede com um soco, olhos com visão de raios X, mira, realidade aumentada, pernas capazes de correr em velocidade sobre humana e saltar muros como se não fosse nada, até implantes que lhe permitem hackear equipamentos e implantes de outras pessoas.

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O gênero se popularizou muito com o livro Neuromancer de 84 de William Gibson e com o filme Blade Runner, o Caçador de Andróides de 82 de Ridley Scott, que se tornaram fontes obrigatórias de qualquer um que se aventura no gênero.

A CHEGADA DO FUTURO DO PASSADO
Quando foi anunciado com um trailer na E3 de 2013, Cyberpunk 2077 imediatamente entrou para o radar de jogadores do mundo inteiro. Inspirado no RPG de mesa Cyberpunk 2020, produzido pela R. Talsorian Games e publicado no Brasil pela Devir Livraria, o jogo foi desenvolvido pela polonesa CD Project Red, a mesma do mega sucesso The Witcher 3, considerado um dos melhores games de todos os tempos.

É preciso um pouco de contexto neste momento. O sucesso de The Witcher 3 foi algo tão avassalador que a expansão Blood and Wine recebeu uma série de prêmios, inclusive de jogo do ano. Não, você não leu errado, uma expansão, não um jogo, recebeu o prêmio de jogo do ano, tal foi o impacto que a desenvolvedora alcançou.

Diferente de empresas como a Ubisoft, que lança praticamente um Assassin's Creed por ano, a CD Project Red não lançou nada desde The Witcher 3, dedicando-se apenas ao desenvolvimento de Cyberpunk 2077.

A produtora mais queria e confiável da atualidade, criadora de um jogo que aprimorou tudo que existia em RPG de ação e fantasia, com anos para desenvolver, contando com a consultoria de Mike Pondsmith, criador de Cyberpunk 2020. Nada pode dar errado, certo? Certo? Você já sabe a resposta.

O lançamento foi adiado por várias vezes. Neste quesito, as pessoas sensatas concordam que, desde o primeiro adiamento, a posição da CD deveria ter sido de não dar nova data, como acabou sendo a saída de muitos profissionais com a chegada da pandemia.

Então, depois de tantos adiamentos, no dia 10 de dezembro de 2020, o game inspirado em um jogo com o mesmo ano no título, Cyberpunk 2077 chega às lojas e se torna disponível para jogar aos compradores de mídia digital e o resultado: um desastre.

Meio que como Obi-Wan gritando para um Anakin Skywalker, aleijado e queimado, a comunidade e os fãs gritaram "VOCÊ ERA O ESCOLHIDO!". Aquele que seria Game of the Year (Jogo do Ano) garantido, que desbancaria Naughty Dog, Ubisoft, EA, Rockstar. O jogo que faria a CD Project Red redefinir mais um gênero, não mais de fantasia, mas agora de ação futurista. Um dos jogos mais ambiciosos das últimas décadas está quebrado.

ENTÃO O JOGO É UMA MERLIN
Não e este é justamente o problema. Os ambientes, os personagens, as situações, diálogos, dublagem (lembrando que a dublagem de The Witcher 3, principalmente as femininas é, no mínimo, sofrível), enfim, vários aspectos do jogo são realmente de primeira. O problema é poder curtir esses aspectos sem o jogo travar, fechar, um carro vir voando do nada e te acertar, inimigos brotarem do nada e até dentro de paredes.

Tive acesso mais pessoal às versões de PS4 e PC e não foram poucas as reclamações. Meu jogo chegou até a fechar e sequer havia muita coisa na tela, na verdade era um beco, sem ninguém e sem nada para interagir e mesmo assim o jogo travou e fechou.

Os patches de correção não param de sair. Até mesmo os desenvolvedores que trabalharam no jogo se manifestaram exigindo explicações por parte da alta cúpula de executivos da empresa sobre o lançamento precoce do game.

É de partir o coração. Uma empresa tão amada e tão respeitada por anos, perder a credibilidade e bastante dinheiro junto (as ações até o momento já caíram 12%). Um game tão bonito, com tantas possibilidades, opções, experiências. Tanta variedade de modos de jogar. Você pode se montar estilo Rambo, procurando as armas mais pesadas, as armaduras mais impenetráveis para chegar chegando e sentando o dedo nos inimigos, ou você pode hackear equipamentos nas proximidades distraindo inimigos enquanto você se aproxima na surdina e pega os desgraçados e mesmo nisso você pode recorrer a opções letais ou não, assim como pode até hackear os implantes dos caras.

Jogando você realmente percebe o verdadeiro motivo de tanta raiva, o jogo é incrível. Muito imersivo, músicas, vozes, gráficos, missões, é tudo muito bem feito, com a qualidade vista no aclamado jogo que levou a CD ao status que ela tem, bom, tinha até o lançamento de Cyberpunk.

Se você ainda não comprou, recomendo aguardar as atualizações, mas tão logo o game esteja estável, recomendo muito que o jogue, pois, removidos os bugs e glitches, é um dos games mais incríveis de todos os tempos, apenas é gigante demais para ser produzido para nove plataformas simultaneamente.

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