Bom Dia, Verônica: a produção nacional não é apenas 3%

Bom Dia, Verônica: a produção nacional não é apenas 3%

A série inspirada no livro homônimo discute um assunto muito atual sem medo de chocar o expectador.

Ainda nesses tempos em que Parasita, um filme coreano fez o impensável e venceu a categoria de melhor filme do Oscar, mesmo com filmes como A Vida é Bela, italiano de 1997, O Tigre e o Dragão, chinês de 2000, REC, espanhol de 2007 e tantos outros exemplos que demonstram como a produção cinematográfica popular não é mais monopólio de Hollywood ainda há um enorme preconceito com o audiovisual produzido no Brasil. Mesmo com obras consagradas e amadas como Central do Brasil, Cidade de Deus, O Alto da Compadecida, muita gente continua descartando grandes novidades apenas por saber que é feita aqui.

A série 3% da Netflix está muito longe de ser perfeita. Em vários momentos suas "inspirações" gritam "JOGOS VORAZES!!", tem problemas de coerência, algumas atuações fracas e forçadas, sim, agora vem a hora do "mas", MAS é uma série de ficção científica corajosa, que fala de assuntos relevantes. Não temos uma tradição de filmes e séries sci-fi, é natural que as primeiras sejam "menos boas" e por isso, a encerrada há pouco tempo, 3% tem muito mérito.

 

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Chegando quietinha estreou no último 1º de outubro, Bom Dia, Verônica, série inspirada no romance de mesmo nome de Ilana Casoy e de Raphael Montes, creditados sob o pseudônimo Andrea Killmore. A série segue Verônica Torres, interpretada por Tainá Müller, escrivã de uma delegacia de homicídios em São Paulo, que passa por situações que mudam sua forma de ver o mundo e seu trabalho.

 

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É corriqueiro me veem destacar algumas atuações e neste caso todos os holofotes vão para Camila Morgado, que vive Janete Cruz e Eduardo Moscovis, o eterno e bronco Petrucchio da novela O Cravo e a Rosa, como Cláudio Brandão. As atuações destes dois não são apenas convincentes, elas mexem profundamente com o expectador. Um trabalho realmente excepcional.

O triller mantém o suspense do momento que ele se mostra até o final da temporada. A direção de José Henrique Fonseca, Izabel Jaguaribe e Rog de Souza nos deixa com um misto de ansiedade, desconforto e muitas vezes raiva, tipo aqueles filmes que gritamos com o personagem para que ele não vá lá fora sozinho, sabe? É assim que você vai se sentir.

Se você é mais sensível com cenas ou assuntos um pouco mais pesados, principalmente ligados ao pior do ser humano, recomendo cautela, mas se você gosta de uma boa história policial e de uma série com um conteúdo extra de debate, sem ser panfletário, tem tudo para gostar.