A MALDIÇÃO da Mansão Bly: uma continuação sem cara de continuação

A MALDIÇÃO da Mansão Bly: uma continuação sem cara de continuação

Em uma época que reciclar boas ideias é preciso, a série A MALDIÇÃO da Netflix é um grande acerto.

Em 1959 foi lançada a série Twilight Zone, conhecida no Brasil como Além da Imaginação. E estrutura primordial da série era ser uma antologia de histórias de suspense e terror. Cada episódio era fechado em si e continha seus próprios personagens, tramas e finais. Além de novas versões em 1985, 2002 e 2019, a receita aproveitada depois para criar Night Visions, Creepshow, Into the Dark, sem falar de inspirar obras de grande sucesso como Black Mirror, que possui a mesma estrutura, mas os assuntos sempre giram em torno da tecnologia.

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Em 2011 foi lançado um grande sucesso de público e crítica, American Horror Story, que popularizou a nova roupagem das séries antológicas, apresentando não uma história por episódio, mas por temporada, tendo hoje nove temporadas, algumas excelentes, outras nem tanto. Se valendo desta mesma estrutura chegamos ao que alguns chamam de A Maldição. A Netflix lançou em 2018 A Maldição da Residência Hill, que se tornou rapidamente um sucesso, sendo aclamada por público e crítica. Conta a história de um grupo de irmãos, que após um evento trágico, retornam à mansão onde cresceram, sendo obrigados a enfrentar seus fantasmas, figurativa e literalmente. Com o sucesso, uma segunda temporada foi prometida e imediatamente a pergunta surgiu "como?".

Residencial-Hill-na-Netflix.jpg Residência Hill

A Maldição da Mansão Bly, criada por Mike Flanagan, que pescou pequenas inspirações no romance de Henry James de 1898, The Turn of the Screw (em uma tradução livre A Volta do Parafuso), chegou à plataforma vermelha dia 9 de outubro, como uma continuação da série (mas não da história) da Mansão Hill. Como em American Horror, o elenco é praticamente o mesmo, tanto em Bly quanto em Hill, com as presenças de Victoria Pedretti, Oliver Jackson, Henry Thomas (calma, esta farpa na sua mente quando vê-lo é porque ele foi, ninguém mais, ninguém menos que o Elliot, o garotinho de ET, o Extraterrestre) e Kate Siegel.

 

Haunting-of-Bly-Manor-cast-pic-cropped.jpg Mansão Bly

hill-house.jpg Residência Hill

MAS TERROR NÃO ASSUSTA MAIS
Sim, diferente da primeira exibição de Frankenstein de 1931, que conta-se que parte do público desmaiou e outra parte saiu da sala, estamos mais dormentes com terror, horror e suspense. É bem difícil alguém que goste de um bom susto, de ficar tenso vendo um filme, ainda ser capaz de sentir e o inverso, quem é capaz de sentir normalmente não gosta ou não aguenta ver. Mas ainda existem as boas histórias. Muito do gênero que acompanho hoje em dia, tem mais a ver com a história que com o medo (ainda que se você está entre os que a ciência chama de "cagão", vai ser afetado por esta série).

Mansão Bly

Para não parecer que é outra pessoa escrevendo, vou dizer de uma vez: sim, há um ou outro problema. Como uma "questão" bastante significativa dada à protagonista, mas que se torna irrelevante para o decorrer da história, ou outra "questão" que ocorre com uma personagem, mas que também acaba dando trabalho para explicar, mas muda em quase nada a trama, tendo mil outros modos melhores de chegar ao mesmo resultado. E também a questão do ritmo, propositalmente lento, para permitir que a tensão cresça como uma erva daninha em nossas cabeças, mas se várias gordurinhas fossem cortadas, de nove, a série ficaria nos trinquis com oito episódios.

Entretanto, mesmo com isso dito, o resultado final é realmente muito bom. Atuações, tramas, enredo é tudo bem colocado. Desta vez o meu destaque vai, não para um ator, mas para um recurso que há anos espero ser bem utilizado. Normalmente em filmes do tipo, temos uma cena em primeiro plano e o monstro/assombração surge em segundo plano e logo a trilha, ou um close ou a virada dos personagens imediatamente esfregam o bicho na sua cara. Aqui não. Em vários momentos as "coisas" parecem easter eggs, escondidos no fundo da cena e por isso fica. Quando você percebe isso a primeira vez, é muito bom ficar esquadrinhando as cenas procurando uma sombra, um par de olhos, um rosto deformado em um quadro.

Um grande acerto. Tem seus pontos melhor e seus pontos piores que a primeira temporada, mas recomendo ambas para quem gosta do gênero, ainda que não seja preciso ver uma para ver a outra.