Política

De corrupção a vacina: como mudou a atuação da PF contra ex-presidentes

De corrupção a vacina: como mudou a atuação da PF contra ex-presidentes

A Polícia Federal realizou na última quarta-feira (3) uma operação que teve como alvo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seu ex-ajudante de ordens, o tenente-coronel Mauro Cid Barbosa, que foi preso preventivamente. Eles são suspeitos de inserir dados falsos de vacinação contra a Covid-19 nos sistemas do Ministério da Saúde para burlar as restrições sanitárias impostas pelo Brasil e pelos Estados Unidos.

A operação, que faz parte do inquérito sobre milícias digitais que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), contrasta com as ações policiais realizadas contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um passado recente. Em 2016, Lula foi alvo de uma condução coercitiva pela PF para prestar depoimento no âmbito da Operação Lava Jato, que investigava crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha envolvendo a Petrobras e outras estatais. Em 2018, Lula foi preso após ser condenado em segunda instância pelo caso do tríplex do Guarujá. Em 2021, o STF anulou as condenações de Lula e reconheceu a parcialidade do ex-juiz Sergio Moro.

Enquanto Lula foi acusado de participar de um esquema bilionário que lesou os cofres públicos e beneficiou partidos e empresários, Bolsonaro é investigado por falsificar um documento pessoal que atesta a condição de imunizado contra a covid-19. A diferença entre os crimes apontados pela PF revela uma mudança no cenário político e jurídico do país nos últimos anos.

Além do inquérito sobre milícias digitais, o ex-presidente Bolsonaro é alvo de ao menos mais quatro investigações no Supremo, um inquérito administrativo e 16 ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e uma investigação que ainda está sendo feita pela Polícia Federal.