Política

100 dias de governo Lula: desemprego cresce, MST intensifica invasões de terra, gasolina e medicamentos têm aumento de preço

100 dias de governo Lula: desemprego cresce, MST intensifica invasões de terra, gasolina e medicamentos têm aumento de preço

Após 100 dias de seu retorno à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta uma série de desafios, dentre os quais o aumento do desemprego, a intensificação das invasões de terra pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a alta nos preços da gasolina e dos medicamentos.

Desemprego

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o desemprego cresceu no trimestre entre dezembro de 2022 a fevereiro de 2023, atingindo 9,2 milhões de pessoas no Brasil. Essa é a maior taxa de desemprego registrada desde o início da pandemia da Covid-19, em março de 2020. A situação é especialmente preocupante para Lula, que assumiu o cargo prometendo criar empregos e reduzir as desigualdades sociais.

Auta no preço da Gasolina

Além disso, a alta nos preços da gasolina e dos medicamentos tem pesado no bolso dos brasileiros. Em março, a gasolina comum teve aumento médio de 8,2% em relação a fevereiro, e no acumulado de 2023, a alta é de 12,2% em relação ao primeiro trimestre de 2022.

Auta no preço de Medicamentos

Já a Câmara de Regulamentação do Mercado de Medicamentos (Cmed), órgão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), anunciou o aumento de até 5,6% no preço de medicamentos regulados pelo governo federal a partir deste mês de abril. O aumento atinge 28 mil medicamentos e pode pesar no orçamento de muitas famílias brasileiras.

Invasões de Terra

Outro desafio para o governo é a intensificação das invasões de terra pelo MST. Segundo apuração do jornal Estadão, o número de invasões de terra em três meses de governo Lula já superou todo o primeiro ano do governo Jair Bolsonaro. O MST anunciou novas ações para o chamado "Abril Vermelho", e a atitude ambivalente do governo não é alvissareira. Por um lado, Lula, ao longo da campanha, aludiu a um novo rumo para os assentamentos, prestigiando-os como cooperativas. Também fez acenos de reconciliação com o agronegócio. Mas eles eram maculados por uma oscilação entre uma atitude vitimista – na qual Lula se colocava como "incompreendido" – e recobros de vilipêndios ao agro como vilão ambiental, quando não "fascista e reacionário". Sentindo-se encorajado, o líder do MST, João Pedro Stédile, reavivou a retórica da luta de classes anunciando o retorno às invasões.

Governabilidade

Além dos desafios apresentados pelos indicadores econômicos, o governo Lula também tem enfrentado dificuldades para construir uma base sólida de apoio no Congresso Nacional, especialmente na Câmara dos Deputados. Mesmo com a formação de uma coalizão de partidos de centro e de esquerda, o presidente tem encontrado resistência de parlamentares que se mostram insatisfeitos com as articulações políticas e com a falta de clareza sobre a agenda do governo. A incapacidade de Lula em construir governabilidade com a Câmara dos Deputados pode comprometer a aprovação de importantes reformas e projetos de lei, o que pode afetar ainda mais a economia e a sociedade brasileira.