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A Explosão do Número de Médicos e Seus Efeitos

 A Explosão do Número de Médicos e Seus Efeitos

Em uma década e meia, a previsão é que o Ceará duplique seu contingente médico. Mas, emergem dúvidas: essa abundância prenuncia uma saturação do mercado?


O Ceará alcançou um marco na área da saúde: o número de médicos registrados e ativos ultrapassou a cifra de 20 mil, conforme dados do Conselho Federal de Medicina. Com uma população estimada em 8,7 milhões de habitantes, segundo o IBGE, isso representa uma proporção de um médico para cada 435 habitantes. Em 2023, o Conselho Regional de Medicina do Ceará emitiu 1630 novos registros profissionais, indicando um crescimento robusto na classe médica.

Projetando esses números, espera-se que em 15 anos o número de médicos ativos no Ceará mais que dobre, superando os 40 mil profissionais. Paralelamente, a população cearense apresentou um crescimento modesto de 4% em 12 anos, passando de 8.451.644 em 2010 para 8.791.688 em 2022. Isso sugere que, mantendo-se a tendência atual, haverá aproximadamente um médico para cada 220 habitantes no futuro.

Essa expansão acelerada na quantidade de médicos pode ser vista como benéfica para a população, que terá maior acesso a serviços médicos. No entanto, há preocupações crescentes com a qualidade da formação desses profissionais, evidenciadas pelo aumento de erros médicos e situações de risco.

Além disso, a lei da oferta e procura pode impactar negativamente a classe médica. Com o dobro de médicos em 15 anos, é provável que a remuneração dos profissionais sofra uma queda significativa. Esse cenário levanta questões sobre o futuro da profissão médica no estado e se, em duas décadas, médicos poderão ser encontrados realizando trabalhos alternativos, como dirigir para aplicativos de transporte.

A situação do Ceará reflete um dilema nacional: como equilibrar a necessidade de mais profissionais de saúde com a garantia de uma formação médica de excelência? E mais, como assegurar que a valorização da profissão se mantenha em meio a um mercado cada vez mais saturado? São perguntas que, sem dúvida, moldarão o futuro da saúde no Brasil.