Economia

Energia termonuclear como alternativa para transição energética

Energia termonuclear como alternativa para transição energética

Nada é mais urgente na atualidade como a busca por novas fontes de energia. Toda a agenda global está pautada em buscar meios alternativos de fornecimento de energia, de maneira sustentável e limpa. A chamada Transição Energética mudará o curso das grandes potências e irá impactar na produtividade das indústrias e nos hábitos de consumo da população mundial.

O processo será lento e os desafios são enormes. A despeito de todos os esforços feitos até agora, além de todo capital empregado (cerca de 1,1 trilhões de dólares em 2022) ainda estamos longe de ter uma participação significativa de outras matrizes de geração de energia.
Vale lembrar que ainda é preciso encontrar um combustível que possa gerar grandes quantidades de energia, com regularidade, custo suportável e baixa emissão de carbono na atmosfera. A equação é complexa e difícil. Mas cada vez mais se vislumbra uma geração de energia a partir de Termonucleares - há muito tempo tratada como insegura e difícil de implementar.

A geração de energia térmica com combustível nuclear é muito usada no mundo, há décadas e totalmente conhecida. Ela é a principal fonte de energia de muitos países, entre eles, o mais emblemático é a França. Lá, os reatores já estão na décima geração e os combustíveis usados são reprocessados e novamente utilizados, o que reduziu muito um dos grandes problemas dessa matriz, que era o acondicionamento dos combustíveis usados.

Recentemente, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, o Diretor-Geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Grossi, trouxe o tema para o centro da discussão, apontando os seus benefícios.

Atualmente, a Energia Termonuclear já provê cerca de 25% de toda a energia de baixa emissão de carbono no mundo. É uma fonte que traz fornecimento contínuo, reforçando as oscilações de fontes renováveis, como eólica e solar.

Além disso, a energia Termonuclear traz uma estabilidade nos custos, uma vez que é um mercado maduro, onde os altos custos de implantação evitam oscilações de preço repentinas, diferente de outras fontes de baixa "pegada de carbono".

O Brasil tem a 6ª reserva de urânio do mundo, o minério insumo do combustível nuclear. Além disso, as Indústrias Nucleares do Brasil (INB) detém tecnologia de todo o processo, desde a mineração à fabricação do elemento combustível, uma vantagem competitiva importante. Para se ter uma ideia, uma planta de energia solar necessita de 17 vezes mais insumos e 46 vezes mais área que uma planta termonuclear para gerar a mesma quantidade de energia.

E o fato, claro, convenceu a comunidade internacional, que parece ter, finalmente, acordado para uma real solução para atingir as metas assumidas de redução das emissões de carbono, quando, na COP28, 22 países assinaram um tratado para triplicar a produção de energia de matriz Termonuclear até 2050, sem comprometer a oferta de energia. Aguardemos!

Por: Tomás Figueiredo Filho