Economia

Crise no Setor Calçadista: 2,47 mil postos de trabalho foram fechados no Ceará em 2023

Crise no Setor Calçadista: 2,47 mil postos de trabalho foram fechados no Ceará em 2023

A indústria calçadista no Brasil enfrenta uma crise, e os reflexos dessa adversidade também atingem em cheio as empresas no Ceará. Nos últimos anos, impulsionadas por incentivos fiscais do Governo do Estado, muitas empresas de calçados migraram para o Ceará em busca de melhores condições e expansão. No entanto, o cenário atual aponta para desafios preocupantes.

De acordo com dados da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), o setor calçadista nacional perdeu 7,67 mil postos de trabalho entre janeiro e novembro do ano passado. Novembro foi particularmente sombrio, com a perda de quase 6 mil vagas em todo o país. O Rio Grande do Sul, considerado o maior empregador do setor, perdeu 1,84 mil vagas nesse período, enquanto o Ceará, segundo maior empregador, registrou a perda de 2,47 mil postos de trabalho.

A mudança de empresas para o Ceará, impulsionada por incentivos fiscais, trouxe um aumento na competitividade do estado. No entanto, a crise atual está colocando em xeque a sustentabilidade desse modelo, levando a uma preocupante onda de fechamento de empresas e a perda de postos de trabalho.

Um fator que agrava a situação é o aumento expressivo das importações no comércio asiático. Segundo a Abicalçados, as compras de calçados do Vietnã, Indonésia e China registraram um incremento de 38% em receita e 10% em volume, atingindo US$ 29,43 milhões e 1,44 milhão de pares em novembro passado. No acumulado do ano, as importações cresceram 26,6% em receita e 11,5% em volume, somando US$ 327 milhões e 22 milhões de pares. Esses números são alarmantes para a indústria nacional do setor calçadista, que vê a concorrência estrangeira pressionar ainda mais um mercado já fragilizado.

O setor enfrenta um dilema complexo. As empresas que se mudaram para o Ceará em busca de oportunidades agora se veem diante de um ambiente desafiador, marcado por uma crise econômica global e pela concorrência acirrada com produtos importados. Os incentivos fiscais, embora inicialmente atrativos, não parecem ser suficientes para garantir a sustentabilidade das operações em meio às atuais dificuldades.