Economia

Nova Termelétrica Desperta Preocupações Ambientais no Pecém

Nova Termelétrica Desperta Preocupações Ambientais no Pecém

A construção de uma nova usina termelétrica a gás natural no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), no litoral cearense, está levantando preocupações entre especialistas, comunidades locais e organizações ambientais.

Sob responsabilidade da empresa Portocem Geração de Energia S.A, o projeto recebeu um investimento de R$4,7 bilhões da Ceiba Energy, tornando-se o segundo maior investimento privado na história do Ceará. A usina, programada para entrar em operação teste em julho de 2026, visa suprir a demanda nos momentos de baixa performance das fontes renováveis.

Contudo, a concentração de termelétricas no Complexo Industrial afeta diretamente as comunidades locais, como os indígenas Anacé. A expansão do complexo em 2002 resultou na realocação de 163 famílias Anacé, desencadeando uma luta pela demarcação de terras. Além disso, especialistas alertam para os possíveis impactos ambientais, como a mudança na salinidade do mar, comprometendo serviços cruciais, como o sequestro de carbono.

O relatório de impacto ambiental apresentado pela empresa levanta preocupações quanto à captação de água do mar, mas a Portocem garantiu uma mudança na tecnologia para reduzir significativamente o consumo de água. No entanto, especialistas ressaltam que todos os métodos de geração de energia impactam o meio ambiente, destacando a necessidade de um processo de licenciamento ambiental mais seguro para as comunidades.

A discussão sobre a nova termelétrica no Ceará não se limita apenas ao aspecto ambiental, mas também aborda a necessidade de o Brasil buscar segurança energética através da diversificação das fontes de energia. Para especialistas, é crucial focar na variedade de geração de energia para preservar o equilíbrio ambiental, uma ideia que ressoa com a filosofia ancestral dos Anacé: "A natureza é perfeita porque tudo que existe nela, existe por uma razão. Há uma capacidade de se renovar e se adaptar. Ela já fez isso por nós, agora nós que precisamos fazer isso por ela".