“Alguém tem que chutar pro gol, ou como disse Bernardinho (ao aceitar a candidatura a governador no Rio de Janeiro), alguém tem que pegar essa bomba, né”, assim falou hoje Domingos Filho admitindo pela primeira vez que aceita o desafio de ser o candidato a governador do Ceará em 2018.O anúncio veio seguido de cinco outras declarações:

1º) O desafio é grande, mas não insuperável; 

2º) Vamos conseguir dar conta, temos como vencer o medo e mudar o Ceará;

3º) O descrédito dos governantes é geral, mas uma agenda positiva; com um plano de ação imediata; com horizonte claro; com começo, meio e fim; com os pés no chão, pode mudar essa negatividade desanimadora;

4º) A defesa da transparência foi o fator que mais pesou na decisão. O governo extinguiu o TCM porque não quer as contas públicas fiscalizadas, e nós sabemos que a qualidade do gasto público depende da qualidade da fiscalização desse gasto. Nesse ponto, a extinção do TCM revela também o abandono do interior;

5º) O péssimo momento vivido no Estado devido a essa falta de segurança pública sem precedentes, também pesou; alguém tem que enfrentar o crime e os criminosos de cabeça erguida, fazendo o que é necessário, sem invencionices, o Ceará Pacifico virou um oceano de sangue; vamos devolver a paz para os cearenses bem preparados para a guerra.

Medo de rasteira — A preocupação com o tempo perdido uniu Domingos Filho e o deputado estadual Capitão Wagner, que passaram a dividir o mesmo pensamento sobre 2018, que a oposição precisa se mover, porque o Camilo já está em campanha e “nós estamos parados”. Assim como Domingos, Capitão Wagner não subirá em palanque com Cid ou Ciro Gomes, nem aceita posições dúbias que desmobilizem a oposição estadual.
“Não dá para aceitar posições dúbias e ainda ficar à reboque de manobras sabotadoras, por isso é melhor construir uma chapa de oposição pura para 2018, para que possamos marchar em total clima de confiança, sem temer atos de traição ou sabotagem. Nesse sentido, o caminho é Domingos governador e Wagner senador, não dá para confiar no Tasso. Camilo continua inseguro, não vai sustentar a cobrança, vai gaguejar no debate. Na crise do TCM, durante todo o debate, Domingos mostrou perseverança, espírito de luta, elegância e firmeza, foi um guerreiro. É um parlamentar acostumado e que gosta de debater, tem os nervos no lugar”, comenta (em off) um deputado federal defensor da chapa Domingos-Wagner.
Mas diante do quadro, não seria melhor que o candidato a governador fosse o Capitão Wagner?
— Em termos, responde (em off) um aliado do Capitão Wagner consultado. E explica o motivo:
— Apesar das pesquisas apontarem Wagner como candidato muito forte para governador, é mais factível ele entrar na disputa de uma das duas vagas para o Senado. O fato de estarem empurrando Wagner para concorrer ao governo, pode ter por objetivo deixá-lo sem mandato, reduzindo assim suas chances objetivas de ser eleito prefeito de Fortaleza em 2020. Por isso, a eleição de Wagner para o Senado é mais factível.

A vez de Wagner — Embalado pela expressiva votação para prefeito de Fortaleza em 2016, quando foi para o segundo turno, em recente pesquisa para consumo interno, não registrada no TRE-CE, realizada em setembro, encomendada pelo ex-prefeito de Maracanaú Roberto Pessoa a um instituto de pesquisa estadual, Capitão Wagner aparece tecnicamente empatado com Camilo na disputa para governador. Camilo (apesar de estar correndo sozinho) teria 44% e Wagner 42%, ao passo que Wagner dispara para senador, chegando a alcançar 47% na pesquisa estimulada; e também liderando com 12% na pesquisa espontânea, ao lado do senador Eunício Oliveira.
O cenário eleitoral para 2018 não está nada confortável para Camilo, nem para Ciro e nem para Cid. Há chances objetivas de derrota.
“Ciro perde feio para Lula e até para Bolsonaro dentro do Ceará. Camilo aparece empatado com Wagner. E Cid não lidera para o senado conforme esperava”, comenta (em off) a fonte que teve acesso a pesquisa na íntegra.
“Há o que chamam de ‘fadiga de material’, tudo indica que os Ferreira Gomes cansaram o eleitor cearense, que está rejeitando geral a mesmice de sempre. E eleitor sabe que Camilo não é o líder, mas um liderado”, acrescenta a fonte.

Esperando Jereissati — Outros líderes da oposição cearense como Roberto Pessoa do PR, o deputado federal Genecias Noronha do Solidariedade e o ex-vereador por Fortaleza Marcelo Mendes do PROS, acompanham atentos às movimentações e devem fechar com a idéias da oposição pura sem dubiedades, contudo, estes esperam a decisão do senador Tasso Jereissati se será ou não candidato.
“Tasso sobre a eleição 2018 ainda não falou nada afirmativo, apenas um pode-ser-que-sim ou pode-ser-que-não, sendo mais provável que a decisão seja não, e ele opte por alguém desconhecido, que só vai facilitar a vida do governo”, analisa (em off) um deputado federal.
Tasso está muito empenhado na disputa pela presidência nacional do PSDB contra o governador de Goiás Marconi Perillo no próximo dia 30 de novembro, contudo, dão como certo que Tasso renunciará a disputa, caso o governador Geraldo Alckmin aceite ser o tertius e torne-se presidente nacional dos tucanos. “Anunciaram em notinha na imprensa nacional uma espécie de retirada de honra para Tasso, que faria revisão médica nos Estados Unidos. Segundo comentários nos bastidores políticos, Tasso tem 16 stends espalhados pelo corpo. “Onde apertar no ‘homi’, ele tem uma válvula”, lastima a fonte.
A dubiedade e o aparente corpo mole de Tasso, além da indicação que fez de gente de sua confiança para secretário do governo Camilo, acendeu a luz amarela nos bastidores da oposição, formada por adversários políticos que tornaram-se inimigos pessoais dos irmãos Ferreiras Gomes.
Tasso poderia estar sabotando a oposição?
“Diante dos elogios do governador Camilo Santana a Tasso, isso é bem possível”, conta (em off) um oposicionista.
“Acho que Tasso não seria um candidato para valer; não está condições plenas de saúde para concorrer. Na campanha de senador enfrentou um candidato cristianizado pelo governo, o Mauro Filho. E também não teve durante estes anos todos nenhum interesse direto afetado pelos Ferreiras Gomes”, comenta outro membro da oposição.
“Não podemos ficar esperando por Tasso, até porque a oposição é um sentimento, não uma pessoa. Esse compasso de espera apenas nos desarticula e fragmenta. Precisamos de uma cara para começar a agregar. O que estamos assistindo é mais uma tentativa dos Ferreiras Gomes de escalar seus adversários. Já fizeram isso outras vezes”, comenta outro membro da oposição.
Há quem prefira esperar Tasso, relembrando que Tasso sempre negou que seria candidato nas últimas vezes que se candidatou e venceu. “Tasso já foi governador do Ceará por três vezes”, diz um membro da oposição que acredita que as intenções do Tasso são boas e que merecem confiança.

Domingos — Domingos Gomes de Aguiar Filho nasceu em Fortaleza no dia 9 de outubro de 1963. É casado com a advogada Patrícia Aguiar, que atualmente comanda o Finep Nordeste, escritório voltado para apoiar a Inovação Tecnológica na região. Tem dois filhos. É pai do deputado federal Domingos Neto e da médica Gabriela Pequeno.
Formado em Direito pela Universidade Federal do Ceará, especializado em Direito Administrativo. É servidor público desde os 18 anos de idade. Começou como agente administrativo da Fundação de Saúde até tornar-se braço-direito do deputado estadual Antônio Câmara, político que fez história no Ceará ao comandar a ampla frente democrática que derrotou às tentativas de dominação absoluta do Ceará pelo chamado Grupo do Cambeba liderado por Sérgio Machado, político cearense derrubado na operação Lava Jato.
Domingos é líder político do sudoeste cearense. Sua base eleitoral está nos Inhamuns, maior região administrativa do Ceará, mas sua liderança alcança importantes cidades do centro sul, do sertão central e até na Região Metropolitana de Fortaleza. Ao longo dos cinco mandatos, recebeu expressiva votação em Fortaleza.
Foi eleito quatro vezes deputado estadual, nas eleições de 1994, 1998, 2002 e 2006. Foi duas vezes presidente da Assembléia Legislativa, sendo considerado o presidente que fez a abertura política do poder, ao criar a lei da Iniciativa Compartilhada, que permite à sociedade ter prerrogativas parlamentares para apresentar idéias que podem ser transformadas em projetos de lei.
Historicamente ligado à defesa da Transparência, Domingos é autor do código para julgamento de prefeitos e vereadores flagrados em infrações administrativas.
Em 2008, presidiu o Parlamento Nordestino, o Parlatino, fórum que encaminhou temas de interesse para o desenvolvimento sustentável da região, como a defesa da agricultura familiar, do programa biodiesel, dos programas e garantias sociais e a Transposição das águas do rio São Francisco.
Em 2010 foi eleito vice-governador do Ceará na chapa com Cid Gomes, de onde saiu para a presidência do Tribunal de Contas dos Municípios, órgão recentemente extinto por perseguição política.
Domingos Filho comanda o PSD no Ceará, partido formado por dissidentes do PSDB, que leva o nome do ex-presidente Juscelino Kubistchek e é liderado pelo ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, hoje ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações do governo Temer.
PSD tem 3 governadores e 539 prefeitos; 5 senadores e 38 deputados federais; 75 deputados estaduais e 4,638 vereadores no Brasil.
Independente da coligação, o PSD tem garantido um bom tempo na TV, cerca de 2 minutos, pelo número de deputados federais filiados ao partido, é a terceira bancada na Câmara dos Deputados. Nesse caso, aliado a outros partidos de oposição, Domingos poderá ter entre 3 a 4 minutos do tempo reservado a propaganda eleitoral obrigatória.

 

Publicado em Ceará
Sábado, 11 Novembro 2017 10:20

7 notas sobre Tasso Jereissati no PSDB

  1. Nos dias que antecederam sua queda da presidência nacional interina do PSDB, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) apostava que o senador Aécio Neves (PSDB_MG) jamais lhe tiraria da posição. Levou um susto. Quem não levou susto algum com a queda do Tasso Jereissati foi o presidente Michel Temer, que foi avisado, com antecedência, por Aécio que destituiria Tasso.
  2. A todos que ligavam para Tasso querendo saber mais detalhes de sua queda da presidência do PSDB, ele repetia sempre a mesma frase: “Perdi o emprego”. E dependendo de quem ligava, acabava dando risada.
  3. Não há maioria clara a favor de Tasso Jereissati ou de Marconi Perillo na convenção do próximo 9 de dezembro. A divisão na disputa pelo comando nacional do PSDB se repete na maioria dos estados, que fazem hoje suas convenções para eleição dos diretórios. São Paulo, com cerca de 100 convencionais, está dividido, mas Tasso tem a simpatia da maioria. O atual presidente do diretório paulista, que deve ser reconduzido ao cargo, o deputado estadual Pedro Tobias, já explicitou apoio a Tasso. Mas o senador cearense tem a oposição de convencionais ligados ao ministro das Relações Exteriores Aloysio Nunes Ferreira, ao senador José Serra, ao prefeito João Doria e ao presidente do Instituto Teotônio Vilela, José Aníbal. "O apoio do Pedro Tobias não significa que o partido em São Paulo irá apoiar Tasso. Teremos mais de 40%, se não for mais. O Tasso vai se surpreender com os diretórios de todo o país. Está agindo como um coronel que não agrega e isso assusta", disse José Aníbal. Tasso tem os 25 delegados do diretório do Ceará eleitos ontem. Marconi tem fechado Goiás, com 27 delegados e apoio quase maciço dos 90 convencionais de Minas Gerais, aliados do presidente licenciado Aécio Neves (MG). No Acre os sete convencionais devem votar em Tasso. Seus adversários o acusam de ter feito uma intervenção no diretório do estado. A Executiva antiga tinha sido apagada mas ganhamos na Justiça o direito de reativar a diretoria eleita há dois anos — disse o deputado federal Rocha. Outro estado onde Tasso tem forte apoio é na Paraíba do senador Cássio Cunha Lima e do filho, o deputado cabeça preta Pedro Cunha. O atual presidente, Ruy Carneiro, será reconduzido e a maioria dos 15 votos é pró-Tasso. Na Bahia, o deputado João Gualberto, presidente do diretório e que será reconduzido, acredita que Tasso terá cerca de 60% do apoio nacional para assumir a presidência. Em Minas, o deputado Domingos Sávio, aliado de Aécio e um dos mais ferrenhos críticos de Tasso, será reconduzido para dirigir o partido. Fora esses casos, poucos dirigentes locais anunciam voto. Entre os convencionais, entretanto, há um apelo para que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, seja aclamado novo presidente para evitar o agravamento da disputa interna.
  4. Muitos tucanos acham que Tasso ainda alimenta o sonho de ser o tertius dos tucanos na disputa pelo Planalto em 2018. Na reunião organizada pelo senador aecista Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) para o lançamento da candidatura do Tasso à presidência do PSDB, havia uma grande faixa onde se lia “Tasso Presidente”. Outros acreditam que Tasso vai desmantelar o PSDB e ajudar a campanha do presidenciável Ciro Gomes. Tasso nega a intenção e chama a família Ferreira Gomes de "oligarquia política".4. O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, é contra Tasso Jereissati para presidente do PSDB em dezembro. Trabalha a favor da candidatura de Marconi Perillo. Aloysio, permanecendo no posto, já avisou que sai em abril. Vai disputar sua reeleição no Senado. O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, ironizou a crise do PSDB, afirmando que “tem muita gente pintando os cabelos de preto lá”. Era uma alusão aos “cabeças pretas” que queriam a saída de Aécio Neves da presidência da sigla e dos quatro ministros do governo de Michel Temer.
  5. O prefeito João Dória não fez nenhum comentário sobre a escolha do ex-governador Alberto Goldman para substituir Tasso Jereissati como presidente interino do PSDB. Se Geraldo Alckmin for eleito novo presidente do partido, em dezembro, hipótese discutível, Doria apressará sua decisão de sair do partido. É o que garantem seus aliados, que também informam que o destino de Dória seria o PMDB, de onde poderia ser lançado candidato à presidente do Temer.
  6. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acha que o ex-governador Alberto Goldman, novo presidente interino do PSDB, comandará o partido sem maiores turbulências até dezembro. Goldman é ligado a José Serra, que foi ministro de Temer e é defensor de aliança dos tucanos com o PMDB. “Se porventura tal convergência não se concretizar, o que porá em risco as chances do PSDB, já disse que apoiarei a candidatura do senador Tasso Jereissati à presidência do partido. Com isso, não faço ressalvas ao direito do governador de Goiás, Marconi Perillo, a quem respeito por sua fidelidade ao PSDB e pelo bom governo que faz, de ser eventualmente candidato. A vitória de um ou de outro não corresponde à vitória do bem contra o mal: precisamos permanecer juntos”, disse FHC.
  7. Apoiadores de Tasso Jereissati (PSDB-CE) têm certeza de que o senador e presidente afastado do partido Aécio Neves (PSDB-MG) consultou o presidente do Senado, Eunício Oliveira, antes de afastar Tasso da presidência da sigla. Ao Poder360/Drive, Eunício negou ter interferido no processo. São remotas as chances de Tasso e Eunicio caminharem juntos na eleição de 2018 — o que até há poucas semanas era uma possibilidade. O mais provável neste momento é Eunício disputar a reeleição para o Senado com o apoio do governador Camilo Santana (PT), que também tentará se reeleger, apoiado pela família de Cid e de Ciro Gomes. Uma pesquisa local aponta que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 66% das intenções de voto para presidente no Ceará.

 

Publicado em Brasil
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