Segunda, 06 Novembro 2017 13:55

Produtores de caju cansados de conversa pra boi dormir Destaque

Escrito por Equipe OFF
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Por muitas décadas o caju liderou a pauta de exportações do Ceará. Quase metade de toda a exportação nacional de amêndoas era castanhas de caju e era cearense. O produto movimentava US$ 150 milhões por ano e empregava 150 mil trabalhadores só no Ceará. No Nordeste, a atividade chegou a empregar mais de 300 mil pessoas. 

Mas, por falta de políticas públicas para o setor, este quadro mudou para pior ao longo dos anos e agravou-se nos dias atuais.
Das mais de 20 empresas cearenses de beneficiamento da castanha de caju, hoje não passam de sete, informa o Sincaju, Sindicato dos Produtores de Caju do Estado do Ceará.
Assim como minguaram as empresas, minguou a produção. Ano a ano a produção decai, chegando ao ponto do Ceará importar castanha de caju de outros países, como Vietnã e India. Para piorar a situação, o continente africano também começou a produzir caju e disputar o mercado.
Em 2013 eram produzidas no Ceará 53 mil toneladas, em 2015 o número caiu para 51 mil toneladas. A produtividade por hectare também caiu assustadoramente. Dos 690 mil hectares cultivados, com colheita de até 700 quilos de castanha de caju por hectare, caímos a menos de 100 quilos por hectare.
O Sincaju listou os problemas e tentou viabilizar medidas para conter a expressiva queda.
Dentre os problemas listou: 1) substituição de copas de cajueiros improdutivos; 2) liberação do transporte da madeira de podas para abastecer à demanda do setor ceramista no baixo e médio Jaguaribe; 3) combate às pragas como o oídio. Como medidas protecionistas, conseguiu emplacar o Funcaju (Fundo de Apoio à Cultura do Caju); e uma lei estadual (a 13.096, de 12 de janeiro de 2001), que tratou de incluir o suco de caju na merenda escolar de todos os alunos da rede pública do Estado do Ceará. Mas nenhuma das medidas foi efetivada ou mereceu a devida prioridade por parte do governo cearense, que deveria ser o principal interessado.

Abandono — O Funcaju foi aprovado e sancionado no governo Dilma Rousseff, mas não foi posto em prática. Foi baseado na experiência do Funcacau na Bahia e do Funcafé em São Paulo, quando uma injeção de recursos assegurou a continuidade da cultura e a melhoria da produtividade e o avanço na indústria de derivados.
A expectativa do Sincaju é que o governo do Ceará também implante um fundo estadual ou até mesmo adote sem adiamentos uma política estadual especial para o setor. Até agora nada de objetivo foi adotado.
Em off, líderes do segmento lembram que o governador Camilo Santana é engenheiro agrônomo e deveria ter sensibilidade para investir no setor, que dá retorno: “Camilo conhece a capacidade do interior cearense em produzir caju, deveria dar maior apoio à cajucultura, que já representou o primeiro lugar da nossa pauta de nossas exportações. Além disso, com o crescimento da nossa produção, não precisaríamos mais importar as amêndoas, que podem trazer doenças exóticas, como aconteceu na praga do bicudo, que dizimou o algodão no Ceará”, lamentou um produtor de caju em tom indignado. Informado que o governo do Ceará assinou aditivo de 50 milhões a mais para fazer propaganda do governo em 2017, a indignação beirou a raiva.

Desperdício — O pedúnculo do caju, alimento rico em diversas vitaminas (principalmente a C) continua desperdiçado. Mesmo com o barateamento da tecnologia disponível, 75% do pedúnculo do caju continua sendo desperdiçados. O volume do desperdício envolve cerca de 2 milhões de toneladas por ano. Muito. Infelizmente só são processados 350 mil toneladas pelas empresas que produzem suco de caju, cajuína, ameixas, vinho, licor, doces e mel.
O governo cearense não cuidou de ampliar a capacidade industrial para que a polpa da fruta fosse processada até mesmo em regime de cooperativa em arranjos de agricultura familiar.
O pedúnculo do caju também poderia ser ainda industrializado como complemento alimentar fortíssimo em ferro, que poderia ser distribuído para o crescimento saudável das crianças carentes dos 184 municípios cearenses. “Quanto o Ceará economizaria investindo na saúde de sua população infantil”, pergunta o produtor.
“Os cajucultores fazem a sua parte, apesar das inúmeras dificuldades que enfrentam no campo, especialmente devido à estiagem que já está no sexto ano consecutivo. Mas o governo nada faz”, reclama. “O cajueiro é uma espécie resistente à seca, adaptável ao nosso clima, mas que precisa de um mínimo de atenção por parte do poder público, a fim de que não seja totalmente abandonado pelos produtores do Ceará e outros estados nordestinos”, acrescenta.
No ranking da produção de caju no Nordeste, o Ceará ainda está em primeiro lugar. Mas até quando?

Emergência — O Ceará produz 40% da castanha de caju do país, mas a safra processada em anos regulares, incluindo as compras do produto efetuadas em outros estados, não abastece com suficiência o suporte de processamento das indústrias locais, gerando dificuldades operacionais para essas empresas.
“A solução é o Funcaju, assim como o Funcacau que foi usado com sucesso no combate à vassoura de bruxa na Bahia e o Funcafé, para as áreas produtoras, estão devidamente legitimados e regularizados, o Funcaju clama por esforço político para sua total viabilização.
Com o Funcaju, os pomares poderão ser modernizados, no tocante a uma sistemática assistência técnica, à massificação de tecnologias desenvolvidas pelos órgãos de pesquisa e com sustentação de crédito rural subsidiado.
Hoje os pomares estão praticamente abandonados. A amêndoa do caju é a noz mais cara e de maior demanda no mundo, e nós, que já ocupamos a primeira posição entre os produtores com a Índia, hoje estamos numa situação vexatória, com pomares envelhecidos e com baixíssima produtividade, com utilização mínima de tecnologias adequadas.
O Ceará tem cerca de 57 mil produtores de caju espalhados em 42 municípios.

Ler 305 vezes Última modificação em Segunda, 06 Novembro 2017 14:16

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