Economia

Favelas: Potencial eleitoral e econômico do país

Favelas: Potencial eleitoral e econômico do país

Os primeiros dados do Censo, divulgados recentemente, trouxeram uma surpresa: o número de brasileiros é menor do que se imaginava, com uma diferença de 4,7 milhões de pessoas em relação às previsões. Essa revelação desperta a necessidade de analisarmos a formação de mão de obra e aproveitar ao máximo os recursos disponíveis, especialmente nas favelas, que se mostram como territórios de potencial promissor.

Antes mesmo dos números do Censo serem divulgados, Renato Meireles, fundador do Instituto Locomotiva e sócio do Data Favela, já enfatizava dados interessantes. Se as favelas fossem consideradas um estado, elas seriam o terceiro mais populoso do Brasil, o sexto em renda e, notavelmente, o maior colégio eleitoral do país, com um número de eleitores quase um milhão maior do que o de São Paulo.

Curiosamente, até o Censo de 2010, as favelas não eram incluídas no levantamento oficial por questões logísticas. Somente em 2022, com a colaboração do Data Favela, o IBGE conseguiu adentrar esses territórios pela primeira vez, revelando uma parcela significativa da população brasileira que era invisível nas políticas públicas.

As favelas têm um potencial latente. O CEO da Favela Holding, Celso Athayde, tem demonstrado isso de forma inegável. Seu conglomerado de empresas, todas com atuação nas favelas, engloba agências de viagem, empresas de logística, telefonia, mídias digitais e até mesmo um banco. A capacidade de empreendimento nunca lhe faltou, mas o grande desafio sempre foi enfrentar a falta de infraestrutura e a incapacidade do Estado em prover o básico para essas comunidades.

Com base em décadas de empreendedorismo e conhecimento adquirido, Athayde desenvolveu o conceito do Quarto Setor, um plano abrangente de desenvolvimento para as favelas que transcende a lógica do assistencialismo. Esse plano requer a presença efetiva do governo, seja através de incentivos fiscais para a criação de empresas locais nas favelas. Afinal, se uma cidade pode oferecer benefícios para atrair indústrias, por que não fazer o mesmo para empreendedores que desejam gerar valor nas favelas, mantendo os recursos financeiros dentro dessas comunidades?

Diante da revelação do Censo, que aponta uma lacuna populacional, é crucial reconhecer o papel das favelas como um potencial catalisador da economia. Errar nas previsões é um acidente, mas ignorar uma parte expressiva da população é uma escolha que não podemos mais permitir. É hora de valorizar as favelas como um colégio eleitoral poderoso e, ao mesmo tempo, um recurso valioso para impulsionar o desenvolvimento econômico do país.