Economia

Confiança da Indústria recua em maio, refletindo preocupações futuras

Confiança da Indústria recua em maio, refletindo preocupações futuras

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) registrou queda de 1,6 ponto em maio, de acordo com a Fundação Getulio Vargas (FGV), após um pequeno avanço em abril. O indicador atingiu o valor de 92,9 pontos, refletindo uma desaceleração na confiança do setor industrial. A diminuição foi influenciada tanto pela percepção de piora na situação atual quanto por perspectivas pessimistas em relação aos próximos meses, segundo o economista Stéfano Pacini, do Ibre/FGV.

A queda na confiança foi observada em diversos segmentos, sendo mais intensa nas categorias de uso de bens de consumo duráveis e não duráveis, que apresentaram uma deterioração na demanda, resultando em um aumento nos níveis de estoque. A conjuntura atual desafiadora, marcada pela enfraquecimento da demanda, taxas de juros elevadas e inflação, tem levado os empresários a adotarem uma postura mais cautelosa, projetando uma redução na produção e uma tendência negativa para os negócios nos próximos seis meses, semelhante ao período observado durante a pandemia em 2020.

Na análise dos componentes do Índice de Situação Atual (ISA), a percepção dos empresários em relação ao nível de demanda foi o fator que mais impactou negativamente o resultado, com uma queda de 2,5 pontos, atingindo 92,4 pontos. O indicador que mede o nível de estoques também apresentou piora, subindo 1,6 ponto e atingindo 106,6 pontos, permanecendo acima do nível neutro desde setembro de 2022. Quando esse indicador ultrapassa os 100 pontos, indica que a indústria está operando com estoques excessivos.

O indicador que avalia a percepção dos empresários sobre a situação atual dos negócios apresentou uma queda de 0,5 ponto, atingindo 90,6 pontos, o menor nível registrado desde novembro de 2022.

No que diz respeito às perspectivas futuras, os empresários se mantiveram pessimistas pelo segundo mês consecutivo. O indicador que mede a produção prevista para os próximos três meses registrou uma redução de 4,1 pontos, chegando a 96,6 pontos. Já no horizonte de seis meses, houve uma deterioração na tendência dos negócios, com uma queda de 2,6 pontos no indicador, que atingiu 87,6 pontos. Esse é o menor nível registrado desde julho de 2020, período em que a economia enfrentava os impactos do lockdown durante a pandemia de Covid-19.

Em contrapartida, o emprego previsto apresentou um avanço de 1,6 ponto nesta leitura, atingindo 98,1 pontos.

Apesar desse leve aumento na perspectiva de emprego, os resultados gerais refletem uma desaceleração da confiança da indústria, evidenciando preocupações em relação ao cenário atual e futuro do setor.

Imagem: Freepik